sexta-feira, 18 de agosto de 2017

À conversa com o candidato laranja

Foi uma excelente iniciativa, que aqui agradeço publicamente, para ver se outros candidatos seguem este bom exemplo. José Delgado, agora cabeça de lista PSD, após a forçada renúncia, por razões de saúde, de Luís Boavida, (a quem mais uma vez envio um abraço fraterno, desejando um rápido e total restabelecimento) contactou-me por mail (anfrarebelo@gmail.com), propondo um encontro para trocar impressões. Aceitei prontamente e, face à dúvida de Delgado sobre o melhor local, apontei a sede social-democrata.
Foi pontual. Chegou num daqueles vistosos Mercedes que já foram jovens, mas nunca se tornam velhos. Apenas distintos. Revelou alguma tensão a abrir a porta da sede. É natural. Para muitos políticos locais o administrador de Tomar a dianteira é um pequeno monstro imprevisível, insaciável, insociável e incontrolável, por isso mesmo capaz, segundo eles, de arruinar a reputação de qualquer um. Exageros próprios dos microcosmos provincianos.
Começou por dizer que vinha de uma freguesia rural, a segunda que visitara nesse dia, no quadro da sua pré-campanha. Pousou dois cadernos de notas, perguntando se podia eventualmente tirar apontamentos do que eu fosse dizendo. Mostrou-se sempre cauteloso, atencioso, polido, procurando não destoar do candidato consensual que entende ser. Insistiu que é um homem  de trabalho, aberto ao diálogo e querendo aprender.


Contrariando informações anteriormente colhidas, segundo as quais interessa a alguns membros do partido que o PSD perca as próximas autárquicas, o que explicaria a inclusão de alguns nomes na lista, garantiu que o partido está unido no apoio à sua candidatura. Quando lhe falei da evidente ruptura na altura da escolha do cabeça de lista, reconheceu o facto mas asseverou que está disposto a colaborar com todos. 
Mais especificamente sobre o movimento Todos por Tomar e o seu líder António Lourenço dos Santos, disse que já o tinha convidado para integrar a lista, deparando-se com a  recusa dele, que disse só aceitar o primeiro lugar. A insistência minha, lá foi dizendo que vai falar de novo com o companheiro preterido, no sentido de procurar integrá-lo de alguma maneira da sua equipa.
Disse ser tomarense, filho daqueles que foram para Lisboa e singraram na construção civil. Mencionou duas filhas e uma vida de trabalho em Lisboa. Aulas no ensino superior, livros técnicos publicados, especialista reconhecido na área da segurança no trabalho e em estruturas. Experiência autárquica na Câmara de Lisboa, na equipa de Macário Correia e depois como funcionário precário até se demitir, quando ia passar a efectivo. Concorre para ganhar e confia no triunfo. Contudo, acaso seja vencido, tenciona assumir o lugar e as funções que lhe couberem, passando a viver no concelho de Tomar, onde  tem casa, no Poço Redondo.
-Aquilo que lhe enviaram e que já leu, não é o programa da minha candidatura, mas apenas uma listagem de intenções, disse a dado passo, acrescentando que a seu tempo sairá o citado programa.
Em conclusão, fica a ideia de um conterrâneo dialogante, franco, humilde, maleável, trabalhador, com ideias próprias e vontade de cumprir, mas sem um projecto mobilizador. Por enquanto?

Actualização

O semanário Cidade de Tomar de hoje, 18 de Agosto, inclui na página 5 uma entrevista com José Delgado. Tomar a dianteira 3 identificou dois pontos fortes. 1 - O candidato PSD proclama que vai vencer, o que já era previsível, mas adianta que ganhará com maioria absoluta. Em que se baseia, saberá ele e os seus. 2 - Proclama também que vai "fazer muito melhor do que já foi feito, pois [vai] trabalhar para o futuro, em conjunto com os melhores", que vai trazer para junto de si. Excelente ideia que, caso venha a concretizar-se, será a primeira vez desde o 25 de Abril.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Um erro histórico


 Um dos pontos da ordem de trabalhos da reunião de 14/08/2017 da Câmara de Tomar era este:


Um dos grandes problemas locais é, no meu entender, a óbvia falta de informação completa e idónea. Apesar de haver sempre representantes credenciados dos jornais e rádios locais nas reuniões do executivo municipal, muito raras vezes se consegue saber em detalhe o que lá foi dito. Houve uma jornalista que, por duas ou três vezes, ainda ousou ir ao osso das questões, mas foi sol de pouca dura. É lamentável, mas é assim. Acontece em todas as terras pequenas e nos países menos evoluídos. E a culpa muito raramente cabe aos jornalistas, sempre manietados de alguma maneira.
No caso que agora abordo, foram tomadas decisões que me deixaram boquiaberto: Apresentar à Direcção-Geral do Património Cultural "Proposta de alargamento/redefinição da área de classificação do Centro Histórico de Tomar e do Aqueduto de Pegões, e redefinição da ZEP de Sellium; proposta de desclassificação das ruínas de Cardais/Ruínas da Nabância..."
Lê-se e volta-se a ler, pois é difícil de acreditar. Sem qualquer fundamentação publicamente conhecida; sem qualquer discussão alargada; sem qualquer informação prévia aos eleitores tomarenses; o executivo resolve propor ao escalão superior a "redefinição da Zona Especial de protecção de Sellium" e a "desclassificação das ruínas de Cardais/Ruínas da Nabância".
De que se trata afinal? No primeiro caso, daquela coisa ali atrás do quartel dos bombeiros, que uma senhora arqueóloga vinda de alhures e os seus discípulos, afiançam desde as respectivas escavações ser as ruínas de Sellium, sem contudo jamais terem apresentado provas concludentes daquilo que sustentam:


Local do alegado fórum romano de Sellium. Suponho que só após a aceitação pelo governo da redefinição da Zona Especial de Protecção virá a necessária e urgentre limpeza. A não ser que antes haja ali algum fogo. Mas como fica nas traseiras do quartel dos bombeiros, estes jogarão finalmente em casa.

No outro caso, o comentário não é meu, mas de Reinaldo dos Santos, no Guia de Portugal, volume 2, Estremadura, Alentejo e Algarve, página 491:


Ou seja, no caso dos pretensos vestígios de Sellium, nunca assaz documentados, o Município de Tomar propõe à tutela o reforço da Zona Especial de Protecção. Para proteger precisamente o quê? 
Inversamente, no caso das ruínas de Cardais/Nabância, com abundância de vestígios romanos documentados em 1926 (fragmentos de estátuas, moedas, medalhas, ladrilhos, colunas e mosaicos, alguns arruamentos) e classificadas como Monumento nacional, propõe-se a desclassificação pura e simples.  Com que base séria? Foram efectuadas escavações arqueológicas?
Quanto a Sellium, toma-se gato por lebre, ou nem isso. No caso da Nabância, o executivo propõe-se que passe de cavalo para burro. Brada aos céus, mas é assim!

Aspecto actual da ponte romana, mais tarde apelidada das Ferrarias.

Em 2016, aquando das obras de reparação e limpeza da zona da Ponte romana das Ferrarias, que a câmara realizou por administração directa, disse ao engenheiro presente no local que era uma excelente ocasião para escavar na margem esquerda, de forma a averiguar por onde e para onde vai a calçada romana, uma vez que os vestígios mencionados no Guia de Portugal em 1927 ficam a poucas centenas de metros. Calou-se e nada foi feito nesse sentido. Agora já percebi porquê. Não convém levantar lebres. A não ser a de Sellium. Porque será?
A actual câmara socialista que continue por essa via e depois não se queixe do que possa vir a acontecer-lhe logo no início de Outubro. Há erros históricos, que por isso mesmo são imperdoáveis.

Esclarecimento
Escrevi acima e mantenho "senhora arqueóloga vinda de alhures", não por bairrismo bacoco, mas apenas porque, sobretudo em História, é sempre importante saber o que está para trás. E os forasteiros raramente sabem, como é mais uma vez  evidente neste caso. Ou então até sabia, mas outros argumentos extra arqueologia foram mais fortes.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Bom prenúncio?

A notícia ilustrada é do nosso colega Tomar na rede, ultimamente mais virado para os cartazes das festas locais e para as curiosidades. Desta vez, foi pescar ao Facebook uma publicação do candidato laranja José Delgado. Conforme pode ler aqui, lá em casa do cabeça de lista, no Poço Redondo, terra de "patos bravos", no bom sentido do termo, que é como quem diz berço de alguns daqueles que ajudaram a edificar a Lisboa moderna, da segunda metade do século passado, encontraram um ovo com outro ovo dentro.


Exactamente como aconteceu com a lista do PSD nabantino. Forçado a retirar-se devido a doença grave, o ovo inicial deu lugar ao ovo actual. Uma vez que, avançou José Delgado, simultaneamente ovo e autor da notícia, dentro do  segundo ovo havia um pinto, é meu entendimento que pode ter sido um excelente prenúncio para os laranjas nabantinos. Consultada uma bruxa que eu cá sei, a previsão foi imediata e categórica: -Aquele pinto era o futuro galo para cantar vitória na alvorada de dois de Outubro próximo. Mas como partiram o ovo, agora já não sei não. É até capaz de dar azar!"
Procurando remediar atempadamente a situação, Tomar a dianteira adquiriu imediatamente um galo de substituição, que a vendedora nos garantiu ser excelente cantador e tão pontual a despertar a vizinhança como um relógio Ómega, daqueles que ainda são fabricados na Suiça. 
Por conseguinte, galo já temos, para cantar vitória. Agora só falta conhecer o vencedor, a quem outro galo cantará. Todavia, pelo caminho que as coisas levam, Tomar a dianteira arrisca vaticinar que, vença quem vencer em Outubro, para os tomarenses será o mesmo galo do costume. É o destino...

TURISMO EM TOMAR

Uma pequena história tomarense ilustrada


Tanto a nível nacional como local, os políticos eleitos (e até alguns funcionários superiores) não abrandam nos gargarismos sobre o extraordinário desenvolvimento actual do turismo em Portugal. E em Tomar, está claro. Dão assim a entender que esse feliz incremento se deve à sua labuta e às suas respectivas acções de promoção. Será mesmo assim?
Uma vez que estamos em Agosto, pico da chamada alta estação turística, Tomar a dianteira resolveu ir indagar. Consultou primeiro o mais clássico dos guias turísticos em português - O Guia de Portugal, editado em 1927, quando o turismo ainda era só para a élite:



 Extremamente elogioso para Tomar,  escreve na página 456 que "Tomar é para todo o português, um lugar obrigatório de peregrinação, pois ignorá-la é desconhecer um dos pontos do País em que a arquitectura nacional atingiu um dos mais excelsos cumes da sua estranha originalidade e da sua beleza." 
Mais adiante, na página 483 e sobre a capela de Nª Sª da Conceição, é também bastante eloquente:

Perante isto, Tomar a dianteira recorreu à usual dúvida metódica. Será mesmo assim? Não estaremos perante um caso de excesso de nacionalismo doentio? Para melhor aferição, para tirar dúvidas, o melhor será comparar com um guia estrangeiro:


Trata-se de uma edição de 2014, mas como os monumentos não mudam, serve perfeitamente. Qual a opinião do autor sobre a capela da Conceição? Esta, na página 393:


TRADUÇÃO: "Capela de Nossa Senhora da Conceição: na descida do Convento. Fechada, excepto em ocasiões excepcionais. No alto da cidade, esta capela construída para mausoléu do rei D. João III, ilustra maravilhosamente a Renascença portuguesa. Equilíbrio de linhas e delicadeza do ocre repousam o olhar do visitante após os excessos do manuelino conventual. Pois! Mas quando é que começa a estar aberta regularmente?"
 Durante dezenas de anos, a chave da capela esteve à guarda da então Comissão Municipal de Turismo, que entretanto deixou de existir, e cujos serviços destacavam um funcionário, sempre que necessário, para acompanhar os turistas que pretendiam visitar aquele monumento.
Nos anos 80 do século passado, um director do Convento de Cristo pediu a chave e nunca mais a devolveu. Continua por esclarecer a razão de tal atitude, uma vez que as sucessivas equipas camarárias jamais se incomodaram com o assunto. Se calhar porque também são contra o turismo de massa, mas não querem que se saiba, por causa dos votos. António Paiva teve pelo menos essa franqueza. Disse sempre que era contra o turismo de pé descalço e agiu em consequência. Fechou o parque de campismo.
Procurando saber qual a situação actual, visto que o guia é de 2014, o que significa que o seu autor terá andado por aqui em 2013, Tomar a dianteira fez-se ao caminho. 
Assim à primeira vista está tudo muito bem indicado:


O pior é quando o visitante se aproxima e constata que o painel, em princípio informativo, agora já é só ornamental. Não exibe qualquer indicação:


Dirigindo-se para a capela, mesmo sem indicações precisas, o visitante bate com o nariz nas portas. Fechadas, sem qualquer indicação e em péssimo estado de conservação. A necessitar de pintura com urgência. Foi para isto que o tal director invejoso resolveu apropriar-se da chave?!:




Bem à maneira portuguesa, um exemplo da arte do desenrascanço: Alguém que decerto nunca logrou entrar para cumprir a sua promessa, por não saber a quem pedir a chave, resolveu deixar o votivo raminho de flores preso na porta principal:


Conclusão:
Perante casos como este, não resta qualquer dúvida.  Aqui em Tomar, o extraordinário aumento do turismo resulta da acção dos sucessivos executivos municipais. E, sobretudo, conforme salta à vista, da profícua acção da  direcção do Convento de Cristo. Todos muito atentos às necessidades dos visitantes. Como fica bem demonstrado nesta pequena história ilustrada.
Mesmo assim, contra toda a evidência, há quem teime em acreditar que, na área comportamental, aqui também é Europa. Será. Mas às vezes não parece mesmo nada.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

As algas destruidoras

Com os meus agradecimentos ao prezado amigo José Gaio, aqui vai a cópia de um comentário no Tomar rede, que me parece extremamente oportuno e cáustico. Pode conferir o original clicando aqui.
A quem escreveu o comentário, uma abraço tomarense de gratidão e aplauso.

As algas destruidoras

Também o blogue “tomar a dianteira 3”, até à exaustão e asfixia, trata a temática das algas acima noticiada.
E se aqui é notícia lá é mesmo tema (bem esgrimido como sempre pela ilustre e insuspeita caneta do desaproveitado Dr. António Rebelo) com classificação das ditas algas bem-feita e a propósito.
Se não, veja-se o que se transcreve, com comentários a despropósito desta cabeça:

Transcrição 1:
“O primeiro grupo é o das algas tradicionais, acastanhadas e sem folhas” –
Comentário 1:
A fazerem lembrar digo eu, a inépcia e a falta de estratégia dos actuias ocupantes do Palácio D. Manuel, para ali levados a colo de um que já foi pontapeado a rigor por seu par mais seus pares, que agora, inocentemente facebookam a toda a hora e de tudo o que é sítio a fazerem-se de conta preocupados com o essencial, sejam festas sejam fogos, em Cem Soldos ou na Serra. Nisto o chamado Vice, mais o jovem Deputado, são verdadeiras algas tradicionais, acastanhada e sem folhas. Poluem hoje e muito, o mal que se verá mais tarde.
Transcrição 2:
“O segundo grupo, mais recente mas de desenvolvimento muito mais rápido, é o das algas de dominância verde, com folhas persistentes” –
Comentário 2:
Quem, como os reforços da açambarcadora lista eleitoral os persistentes e insistentes Independentes melhor se podem parecer com semelhantes algas? Acho que ninguém!
Quais lapas agarradas à rocha acoitam-se ao poder para sobrevivência natural de quem sempre viveu à sombra e das benesses do mesmo e de quem se julgam parte constante e indivisa, mas sem decoro!
Verdadeiras “algas de dominância verde, com folhas persistentes, mais recentes e de desenvolvimento rápido”.
Encomenda de tragédia, tipo grega, a declarar-se lá para o ano.

Transcrição 3:
“Quanto ao terceiro grupo, integra as algas em fermentação, as quais vão formando à superfície um autêntico tapete, cuja cor predominante é o amarelo esverdeado”:
Comentário 3
Aqui juntam-se todos, os atrás ditos mais aqueles que ainda hão-de vir e, desgraçadamente , a fermentar leveduras de destruição constituirão o referido tapete para debaixo do qual tudo será varrido e esquecido passado seja o um de Outubro!
Assim e sob pena de asfixia e morte do rio e suas margens é urgente:
Transcrição 4
A - Despejar o rio parcialmente, procedendo à recolha dos peixes e dos patos bons, acaso os haja. Os outros e serão quase todos é deixá-los ir água abaixo mais as algas. E não se sentirá muito a sua falta.
B - Despejar completamente o rio e iniciar os trabalhos de substituição e desinfecção do seu leito com devolução dos bons peixes e cultivação de novos que tragam à cidade e às suas margens, ao concelho e às suas gentes aquilo que todos merecem mas não estes.
“Se assim não procedemos, o Nabão (Concelho) vai morrer. E depois? Quem terão sido os responsáveis? Só os poluidores (Os eleitos)? Ou também e sobretudo os que nada terão feito para evitar o desastre (os eleitores)?”


(Ao “Tomara a dianteira 3” o muito obrigado pelo mote)

Alga Ofensiva Um

Uns sacam outros pagam - Conclusão

Haverá decerto leitores já fartos de tanto texto sobre o Aqueduto dos Pegões. É natural. A época não é de aprofundamento. É mais  FFFF. Festas, futebol, férias e  fastfood (comida rápida). E depois admiram-se, quando as coisas não acontecem como previsto.
Após tanta conversa, pensarão alguns, restaurar os Pegões para quê? Não basta a água distribuída pelos SMAS? Pois não basta, não senhor. De forma nenhuma. Com o multicentenário aqueduto filipino seco e cada vez mais arruinado, há muita coisa que mudou para pior.

Estas fontes deixaram de funcionar:

 Fonte-lavatório filipino, à entrada do refeitório conventual, no Claustro de D. João III.

Fonte-lavatório no Corredor do Cruzeiro, frente à porta dos aposentos do D. Prior.

O magnífico repuxo do Claustro Principal só funciona com água da rede. Quando funciona:


Esta fonte, no jardim do castelo, secou:


Neste calheiro em pleno laranjal, já não corre água há muito:


Este tanque junto ao subterrâneo da Torre de Dª Catarina está vazio há décadas:


Fora das muralhas do castelo, na antiga Cerca conventual, o que se vê é desolador. O Tanque dos Frades está com água salobra, excelente viveiro de melgas e mosquitos:


A outrora pujante nascente da Gruta da Racha, com a sua forma vaginal, está seca:


Da nascente com queda de água junto ao Tanque grande, também já só resta a recordação:



Mesmo a Charolinha, noutros tempos rodeada de água,  para melhor refrigério dos frades, está agora a seco:


A respectiva nascente também deixou de correr:


Resumindo, a ruína do Aqueduto filipino provocou a desaparecimento de todo um eco-sistema, que propiciava a existência de um micro-clima na Mata dos sete montes. Por isso a parte norte da antiga Cerca conventual está agora mais amarela que verde. E o leito do Ribeiro dos sete Montes, outrora sempre com água, está agora neste estado lamentável:


xoxoxoxoxoxoxox

Em conversa recente com Tomar a dianteira, a senhora presidente da câmara asseverou que é seu objectivo restabelecer todo o eco-sistema dos Pegões. Ter de novo a água do aqueduto a chegar ao Convento, ao Castelo e à Cerca conventual. Como sempre aconteceu desde o século XVII. Acrescentou que isso está orçado em quatro milhões de euros, montante demasiado elevado para os cofres municipais. Por essa razão, pretende que o governo conceda à Câmara de Tomar a gestão partilhada do Convento de Cristo, cujas entradas rendem anualmente mais de um milhão de euros.
Pode contar naturalmente com o modesto apoio deste blogue, excepto num ponto: Tomar não é nenhuma colónia de Lisboa, pelo que não há qualquer justificação para a gestão partilhada do Convento e dos restantes monumentos locais. Devem ser dirigidos exclusivamente por pessoas escolhidas pelos eleitos tomarenses. Não pelo Ministério da cultura - DGPC, que já mostrou sobejamente a sua incapacidade para tal tarefa.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A acelerada agonia do Nabão

Há risco de propagação de insectos portadores de virus tipo zica, dengue, chicungúnia, paludismo...

Cada vez mais conspurcado com esgotos ricos em matéria orgânica, sobretudo fosfatos, o Nabão vai agonizando de forma até agora irremediável. São já bem visíveis três tipos de algas, que a médio prazo acabarão por cobrir toda a superfície da água.
O primeiro grupo é o das algas tradicionais, acastanhadas e sem folhas:







O segundo grupo, mais recente mas de desenvolvimento muito mais rápido, é o das algas de dominância verde, com folhas persistentes:




Quanto ao terceiro grupo, integra as algas em fermentação, as quais vão formando à superfície um autêntico tapete, cuja cor predominante é o amarelo esverdeado:


Naturalmente, nenhum grupo é puro. São todos mais ou menos mistos. Ou 2 - 3:


Ou 1 - 2 - 3:



Em todos os casos, há cada vez mais superfície aquática coberta pelas algas. Quando todo o rio estiver coberto de algas, a água deixará de poder regenerar-se, devido à ausência de luz solar directa em quantidade e intensidade suficientes. O Nabão deixará então de ser o rio que sempre conhecemos até agora. Passará a ser um pântano de água salobra, habitat ideal para toda a espécie de insectos, alguns dos quais potenciais portadores de virus de doenças graves.
Quem mora no centro histórico sabe bem que as colónias de melgas e companhia têm vindo a aumentar exponencialmente. E não há insecticida que lhes consiga pôr cobro, porque quanto mais se matam, mais aparecem, graças ao excelente viveiro em que se transformou o nosso amado  rio.
Situação irremediável? No meu entender não. Mas há que tomar medidas corajosas o mais rapidamente possível. Quanto mais tarde, mais difícil será. Assim sendo, logo que seja desmontado o açude do Mouchão, creio que se deverá proceder como segue:
A - Despejar o rio parcialmente, procedendo à recolha do peixe e dos patos. O peixe será colocado em tanques adequados à sua sobrevivência até à posterior devolução ao rio. Os patos serão guardados em recintos próprios, igualmente até à respectiva devolução ao seu habitat usual.
B - Despejar completamente o rio e iniciar os trabalhos com os seguintes veículos: uma máquina de lagartas, com picões para dragar o leito do rio; uma pá carregadora para ir recolhendo toda a matéria orgânica antes dragada pelo tractor de lagartas; vários camiões para transporte de todos os detritos recolhidos.
Se assim não procederem, o Nabão vai morrer. E depois? Quem terão sido os responsáveis? Só os poluidores? Ou também e sobretudo os que nada terão feito para evitar o desastre?



Uns sacam outros pagam - 4

Atrás do muro que ladeia a estrada junto ao Casal de Santo António, eis o Tanque da Cadeira d'el-rei, o maior da actual Mata nacional dos 7 montes, anteriormente Cerca conventual:

 Vista do tanque, de leste para oeste. À esquerda a casa da água, de cúpula semi-esférica.

 O fundo do tanque coberto de ervas, a mostrar que há muito deixou de haver ali água. À direita a casa da água, início do canal que termina no Convento de Cristo.Do lado esquerdo o acesso ao canal que passa por baixo da estrada e permite aceder ao aqueduto.

O conjunto é de uma harmonia e monumentalidade despojada, realmente impressionantes.

 Infelizmente, do lado poente esta neste estado calamitoso:

O que me preocupa já nem é propriamente o facto de o muro de suporte estar escorado. O que me causa alguma angústia é que as escoras estão ali há mais de 20 anos. E ainda não houve tempo para endireitar o muro! Até a árvore, compadecida, se vai inclinando também, certamente por simpatia.

O Tanque da Cadeira d'el-rei, que distribuía  a água pela Cerca até ao Tanque dos Frades, através deste sistema:



O que aqueduto, que como vimos antes entra na Cerca junto ao Tanque da Cadeira d'el-rei, termina aqui, na fachada sul do Convento de Cristo: 


Terminus do aqueduto. As duas janelas mais à direita, no piso superior, são respectivamente, da esquerda para a direita, do aposento do D. Prior e do Corredor do Cruzeiro. As duas do piso inferior são do Refeitório conventual.

Apesar de relativamente pequeno, tem apenas 320 metros, o sector do aqueduto entre o Tanque da Cadeira d'el-rei e o Convento de Cristo está sob dupla tutela. Propriedade do estado, tutelado pela DGPC - Ministério da Cultura, passa dentro da Mata Nacional dos sete montes, tutelada pelo Parque nacional da Serra de Aire e Candeeiros - Ministério do Ambiente. Apesar dessa dupla tutela está assim:


 Arruinado, sem as lajes de protecção...


 Coberto de lixo, que não é limpo há décadas...


Há zonas em que já abateu, e outras em que já nem se consegue ver por onde passava...

A postagem já vai longa. Haverá mais em Uns sacam outros pagam - Conclusão, amanhã. Entretanto obrigado pela vossa pachorra, caros leitores.