segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Mantém-se a caça ao voto

O ponto 31 da ordem de trabalhos da reunião camarária de hoje, segunda-feira 11 de Dezembro, tem mesmo todo o ar de um verdadeiro 31 dos antigos. Trata-se de uma proposta da vereadora que detém o pelouro do turismo e cultura, que mais não é afinal que uma cópia do anterior. Fixa os dias de encerramento dos locais e serviços dependentes daquele sector, a saber:
1 - Cine-Teatro
2 - Posto de turismo
3 - Sinagoga
4 - Museu dos fósforos
5 - Núcleo de arte contemporânea
6 - Complexo cultural da Levada
7 - Casa Vieira Guimarães
8 - Casa Manuel Guimarães
9 - Casa-memória Lopes Graça
Todo este ramalhete sob administração municipal vai encerrar em 1 de Janeiro, 1 de Maio, 25 e 31 de Dezembro. Porquê? "Pelos fundamento apresentados", segundo a frase ritual que figura na convocatória, sem que contudo se indique quais sejam.
E a Biblioteca Municipal? Não encerra nessas datas? Não faz parte da Divisão de Turismo e cultura? Esqueceram-se dela? Fica a dúvida...

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É o que se chama protecção da natureza, praticada pela Câmara de Tomar. Mais prego, menos prego, a velha tília, plantada pelos militares do RI 15, lá vai sobrevivendo. Apesar de tudo...

Houve um tempo em que os funcionários públicos eram servidores do Estado, logo servidores públicos. Dessa época apenas resta, pelo que se constata, o sistema de saúde, que continua  a designar-se "ADSE - Assistência na Doença aos Servidores do Estado". Quanto ao resto, tudo mudou. Agora os funcionários que mandam protegem-se e protegem os seus colegas. É a permanente caça ao voto. Que também inclui empréstimos do autocarro municipal, tolerâncias de ponto, combustível para algumas colectividades, excursões gratuitas, homenagens com atribuição de medalhas e diplomas, festas à borla e transportes urbanos muito abaixo do preço de custo.
Seria interessante saber quais são os alegados "fundamentos apresentados". Porque uma coisa é certa: Andar a propalar que se tem conseguido desenvolver o turismo local, ao mesmo tempo que se mandam encerrar locais em geral muito visitados, nos dias em que há mais visitantes, é uma evidente incoerência. Que não tem qualquer justificação plausível. 1 de Janeiro, 1 de Maio, 25 e 31 de Dezembro, são feriados geralmente celebrados à noite. Assim sendo, porquê e para quê encerrar serviços públicos durante o dia? Apenas para passar a mão pelo pelo aos queridos colegas, tentando que votem bem.
É verdade que em relação a metade dos supra mencionados locais, não se perde grande coisa. Mas em relação à Sinagoga, ao Museu dos fósforos ou ao Posto de turismo, por exemplo, já pensaram um bocadinho na frustração dos visitantes, ao baterem com o nariz nas portas respectivas?
Dirão alguns dos que nos vão procurando pastorear que o Convento também encerra nesses dias. Pois encerra, mas não passa de mais uma rematada asneira para agradar aos funcionários. 
Está mal e implica mudança radical quanto antes. Sob pena de cada vez maiores prejuízos. E olhem que nos últimos quatro anos já se foram quase cinco mil eleitores. É mesmo demasiado! E devia implicar quanto antes apuramento das causas. Devia...

domingo, 10 de dezembro de 2017

Somos mesmo assim

Tomar a dianteira - 3 nunca publicou até agora qualquer texto estilo "faca e alguidar". Não ignora porém que os dois jornais mais lidos em Portugal são o Correio da Manhã e A Bola. Por alguma coisa será. O que explica a via seguida por alguma imprensa escrita e até por outros colegas da blogosfera. São critérios que não merecem debate, no estado actual das coisas.
Desta vez, O Mirante noticia com destaque o caso de uma esposa traída, que resolveu fazer justiça pelas próprias mãos, ajudada por um cúmplice. Vingar-se, em linguagem chã. Amiga da traidora, levou-a para um pinhal ermo, onde ela e um amigo a agrediram, tendo-lhe despejado piripiri na vagina. Terá portanto havido premeditação, porque o cúmplice aguardava no pinhal ermo, decerto em virtude de conluio anterior. Mas também e sobretudo porque a honesta esposa traída se munira antes de uma embalagem com piripiri, que não é um produto assim muito corrente, quando se viaja de automóvel na ida para o emprego.

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A notícia do Mirante, que pode ser lida aqui, especifica que o julgamento decorre no tribunal de Santarém, e só lateralmente menciona o que parece ser o mais significativo neste episódio picante. Os factos remontam a 2011. Seis anos para levar a julgamento uma coisa assim, mostra bem o estado a que já se chegou neste país. Mas nisso ninguém reparou. 
Importante, importante mesmo, foi o acto de despejar piripiri na vagina de uma concorrente. Porque a culpada foi naturalmente ela. O ex-marido da agressora, (já seria ex-marido na altura dos factos?), é um santo, incapaz de trair o laço sagrado do matrimónio, que na circundstância apenas foi vítima da tentação provocada pela bem conhecida fraqueza da carne.
Somos mesmo assim e também por isso estamos como estamos. 

sábado, 9 de dezembro de 2017

Cegueira política e banda gástrica

Não terá agradado nada o texto anterior. Os invisuais políticos do costume muito provavelmente até já terão acusado o autor de excesso de pessimismo, de não ser tomarense, de só querer o mal dos outros... Argumentação tosca e mentirosa, de quem não consegue elaborar melhor, porque a respectiva cabecita não deixa ir mais longe.
É claro que, como toda gente, também gostaria de ter em Tomar, minha amada terra, um hospital com todas as valências, situação que contudo sei não ser possível. E aqui começa a divergência. Os conterrâneos agem como se a tutela tivesse retirado da cidade a urgência cirúrgica para prejudicar os nabantinos. Não querem admitir o óbvio -que não havia nem há recursos disponíveis para a manter, tendo em conta a diminuta população potencial que servia. Enquanto a urgência de Abrantes serve uma quantidade de concelhos do interior, que de outro modo teriam de percorrer distâncias bem maiores (Gavião, Mação, Sardoal, Vila de Rei, Ponte de Sor...), a de Tomar, caso regressasse, serviria que concelhos? Só Tomar e Ferreira do Zêzere, posto que Ourém prefere Leiria, por razões evidentes, enquanto Torres Novas, Entroncamento, Barquinha e Constância, estão ao lado da A 23...
Para os que ainda assim não estejam convencidos da inutilidade prática de reivindicar o retorno da urgência médico-cirúrgica, abreviando razões, de tudo aquilo que Tomar já perdeu, (Fábricas várias, Quartel General, Hospital militar, Messe de Oficiais, Polícia judiciária, e por aí fora), o que é que já regressou?
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Céu cada vez mais nublado

Procurando entreter a população com festas à borla e uma ou outra reivindicação sem pernas para andar, a maioria autárquica procura escamotear o óbvio -como cidade e como concelho estamos, por culpa nossa, por falta de coragem, de orientação e de saber fazer,  a caminhar a passos cada vez mais largos e rápidos para o abismo da irrelevância. Que também será sem regresso possível.
Prova disso é que o orçamento municipal para 2018, a "debater" na reunião de amanhã, encolheu perto de 10%, em relação ao do ano corrente. Porquê? Necessidade de poupar? Evidente falta de receitas para mais? Em qualquer caso, um péssimo sinal. Porque a autarquia tem excesso de despesas com pessoal, que são fixas e tendem a aumentar, dado que o governo decidiu descongelar as carreiras da função pública. Tendo em conta que em simultâneo as receitas vão encolher cada vez mais, o que aí vem não é nada cómodo para ninguém. Todos vão ter de suportar uma fiscalidade encapotada bem mais gravosa, não sendo possível fazer chouriços sem carne.
Se em vez de se entreter a enfeitar ruas, largos e pracetas, instalar pistas cicláveis e reivindicar mais serviços públicos, a actual maioria autárquica ousasse enfrentar a realidade e criar condições objectivas para o desenvolvimento da iniciativa privada, ainda haveria esperança. Agora assim, nem a "camarocracia" local pode continuar a viver descansada, no meio da sua infernal burocracia. Com o orçamento a encolher quase 10% ao ano, é óbvio que já faltou muito mais para chegar o momento em que simplesmente não haverá dinheiro para honrar os seus vencimentos. E aí, o caldo entorna-se. É inevitável.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Batalhas, guerras e tralhas

Em 1940, quando as divisões blindadas alemãs invadiram e ocuparam grande parte da França, incluindo Paris, De Gaulle, um general de duas estrelas, refugiou-se em Londres e daí se dirigiu aos seus compatriotas pela rádio. Num discurso que vinha do coração, apelou à resistência contra os invasores e terminou com as frases que se tornaram célebres: "A França perdeu uma batalha, mas a França não perdeu a guerra. Viva a República! Viva a França!" Cinco anos depois, em Novembro de 1945, derrotados os alemães graças ao auxílio dos americanos, De Gaulle subiu triunfalmente os Campos Elíseos. A França perdera uma batalha, mas acabava de ganhar  a guerra, conforme ele previra.
Decorridos mais de setenta anos, acabo de ler aqui esta maravilha bélica: "A batalha pelo regresso da urgência médico-cirúrgica a Tomar não está perdida", declarou Anabela Freitas aos microfones da Rádio Hertz. Caso para aplaudir? É claro que não. Desde logo porque só os papalvos poderão eventualmente acreditar na existência de uma batalha entre a socialista Anabela e o governo socialista de Costa. A seguir porque, para além das declarações da senhora presidente e dos seus camaradas, não se nota que esteja em curso qualquer batalha. A não ser a da sobrevivência política.

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Fotografia antiga do Hospital de Ourém

Em terceiro lugar, dando de barato que esteja em curso qualquer batalha, tão encapotada que ninguém dá por ela, que tropas alinha a autarca tomarense? Mais precisamente, que argumentos apresenta? População? Está a diminuir a olhos vistos. Economia? Definha a cada dia que passa. Deserto médico-cirúrgico? Há uma urgência dessas a 35 kms, em Abrantes, a 44 kms, em Leiria, a 64 kms, em Santarém e a 80 kms, em Coimbra. Ou seja, quatro urgências médico-cirúrgicas a menos de uma hora de Tomar. Nem os países ricos do norte da Europa ostentam uma tal densidade de urgências médico-cirúrgicas.
Se bem entendo, a senhora presidente da câmara, a mergulhada numa série de problemas que não esperava, viu-se forçada a falar para tentar apaziguar aqueles tomarenses presunçosos que ainda vivem no passado. Acham que Tomar deve ter a sua urgência médico-cirúrgica "por direito próprio". Por ser a grande cidade do norte no distrito, com um estatuto de alto gabarito. Esquecem que hoje em dia já assim não é.
Nos idos de 60 do século passado, Tomar tinha dois hospitais, o da Misericórdia e o Militar, mais duas clínicas privadas com internamento (Santa Iria e Senhora da Piedade). Onde é que isso já vai? Resta-nos um hospital amputado e não sei por quanto tempo, que a economia não perdoa e a máquina das notas já não funciona em Lisboa. Quanto a população e pujança empresarial, estamos conversados. Agora a maior cidade da zona, a que tem maior actividade empresarial, a que se desenvolve, é Ourém. Onde nem sequer há um hospital médio. O que levou os autarcas oureenses a obter do governo a liberdade para recorrerem ao hospital de Leiria, que fica a 20 kms, apesar de pertencerem ao distrito de Santarém. Revelaram assim ser mais práticos e realistas que os tomarenses, uma vez que Leiria tem mais população que o conjunto Santarém-Abrantes-Tomar.
Na minha humilde opinião, que vale o que vale, talvez não fosse pior a senhora presidente da câmara descer a este triste mundo quanto antes, sob pena de o seu mandato poder terminar de forma inesperada. São demasiadas asneiras em tão pouco tempo, e já  Camões, apesar de zarolho, dizia há  mais de 500 anos:

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades 
Muda-se o ser, muda-se a confiança
Todo o mundo é composto de mudança 
Tomando sempre novas qualidades 

Continuamente vemos novidades
Diferentes em tudo da esperança
Do mal ficam as mágoas na lembrança
E do bem (se algum houve) as saudades

O tempo cobre o chão de verde manto
Que já coberto foi de neve fria
E em mim converte em choro o doce canto

E afora este mudar-se cada dia
Outra mudança faz de maior espanto
Que não se muda já como soía" (como era costume)

Luís Vaz de Camões - Sonetos

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Nada sobre Tomar

Era forçoso que viesse a acontecer. Chegar o dia em que, sem tema para alargar, decidisse nada escrever sobre Tomar, minha amada terra. Calhou ser hoje, o que me levou a considerar a hipótese de os meus poucos leitores habituais poderem ficar preocupados com o inesperado silêncio. Procurando remediar, aqui vai a explicação. Estou bem. Apenas sem tema nem ideia de tema para desenvolver. Peço desculpa.
Tenham um bom dia, com saúde e muita alegria.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Turistas educados mas atentos

O nosso colega Tomar na rede refere que um casal de turistas alemães esteve em Tomar em Maio passado. Andaram por todo o lado, visitaram o que quiseram e parece que se foram encantados com o que viram. Não posso garantir que assim tenha sido, porque o blogue deles é em alemão, língua que não entendo. Notei contudo que fotografaram imenso. Publicaram 133 fotos da cidade. A última pareceu-me um recado do tipo "Vocês são muito simpáticos, a terra é muito bonita, a segurança é total, mas vejam lá se começam a trabalhar mais um bocadito. Em termos de manutenção, o parque para autocaravanas está uma vergonha."


Conclusão provisória: A autarquia não cumpre com as suas obrigações (por falta de pessoal, de organização ou de vontade política) mas os tomarenses é que ficam mal na fotografia, quando não têm culpa nenhuma. Ou antes, têm culpa sim senhor, porque eles é que elegeram os senhores autarcas que temos. (Eu pecador me confesso...)

Quem acode ao Nabão?

Um amigo, que habita no Bairro da Flores, mandou-me estas fotos do Rio Nabão:





Só faltam umas luzinhas de Natal, escreveu ele. E falta sensibilidade a quem ocupa cargos de governação. Se calhar porque já não nasceram no Hospital velho, já não aprenderam a nadar no Nabão e já não conseguiram andar nos barcos municipais do Mouchão. Outros tempos, outros modos, outras prioridades. Agora preferem reabilitar a Praceta Raúl Lopes, requalificar a Várzea grande, recuperar a entrada sul, e assim sucessivamente, enquanto o nosso rio vai morrendo.
Por favor, parem e pensem um bocadinho, senhores do mando. Tomar e os tomarenses passam muito bem sem as múltiplas obras de fachada já anunciadas. Mas conseguirão a cidade e o concelho sobreviver, se não acudirem ao Nabão?
O novo presidente da Câmara de Ourém disse na Rádio Hertz que aquela autarquia vai atribuir um subsídio entre 800 e mil euros a cada família que vier fixar-se no concelho, apesar de ter sido o  que menos população perdeu nos últimos quatro anos. Na situação oposta, Tomar foi o concelho que mais habitantes perdeu entre 2013 e 2017, mas apesar disso os senhores autarcas não denotam qualquer incómodo. Pelo contrário. A julgar pelo que vão fazendo e anunciando, chega a parecer que agem no sentido de provocar o êxodo dos tomarenses. Que outra coisa pensar quando se anunciam obras não prioritárias só porque sim, em detrimento de acções fundamentais na área do saneamento, do emprego, dos custos fiscais e da limpeza do Nabão?
Bem vistas as coisas, até têm razão os senhores da actual maioria. Perante a costumeira passividade da população e o silêncio cúmplice da quase toda a informação local e regional, o melhor é mesmo provocar a emigração dos tomarenses que restam. Quanto menos ficarem, menos chatices provocarão aos senhores da autarquia. O pior é o resto, como a seu tempo se verá.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Declarações de voto demolidoras

Acabo de ler as declarações de voto dos vereadores PSD, na reunião camarária de 27 de Novembro passado. Referem-se às alterações ao plano de pormenor Flecheiro-Mercado e à "reabilitação" da Praceta Raul Lopes. Tanto num caso como no outro, são demolidoras. Assentam exclusivamente em argumentação técnica e de bom senso, excluindo posicionamentos políticos, que no caso seriam descabidos. São ainda mais demolidoras essas declarações, por dois motivos centrais. Primeiro porque denotam que a intenção real é a oposta -edificar em vez de demolir, uma vez que os eleitos laranja até votaram favoravelmente as propostas da maioria PS. Depois porque nelas sobressai o manifesto improviso dos projectos em causa.
De acordo com as observações dos social-democratas, dir-se-ia que os ditos projectos em foram executados e apresentados à discussão apenas para procurar cumprir normas detestadas e, sobretudo, para procurar calar a oposição e a quase inexistente opinião publicada local. Fica até a ideia de que se trata de prática habitual, que visa obter posteriormente determinados resultados, nomeadamente quanto mais trabalhos mais, melhor. Se calhar por causa das escorrências respectivas...
No meio de tanta incompetência técnica (que até pode ser deliberada, tendo em vista as tais escorrências), lá apareceu uma pequena luz de esperança. A maioria socialista, apoiada nesse ponto pela oposição, resolveu recuar quanto ao projecto da Praceta Raul Lopes, aceitando a sua revisão antes de o submeter à discussão pública. Não é pouca coisa, numa terra em que um eleito actualmente em funções já disse na cara de um comentador local "Quanto mais refila, pior é."
Resta ter esperança que a maioria socialista ouse proceder de igual forma, regressando ao início, nos casos da Várzea Grande e da entrada sul. Quanto mais não seja por uma questão de prioridades e de coerência. Será lógico mandar instalar pistas cicláveis ao lado de um acampamento cigano? Não será melhor acabar primeiro com o dito acampamento? Será coerente pretender embelezar a Várzea grande, o que vai acabar com o tradicional campo da feira e reduzir drasticamente o estacionamento, quando mesmo ao lado, em pleno centro histórico, há artérias urbanas sem rede moderna de águas ou de esgotos? Não seria melhor começar pelo básico?
Perguntarão alguns instalados à manjedoura municipal o que é o básico. Em Tomar, como em Tegucigalpa ou em Luang Prabang, o básico é uma santíssima trindade -água, esgotos e luz. O resto é complementar.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Saber, saber dizer e saber fazer

Nos seus comentários citados no texto anterior, António Paiva foi categórico. Sem usar o termo, desmentiu que não haja verbas disponíveis para o saneamento. Acrescentou que exigem engenho e trabalho, sendo que os políticos são eleitos para isso mesmo -para trabalhar.
Ao referir uma questão tão sensível como a do saneamento, tanto no centro histórico como no resto do concelho, Paiva acertou em cheio. Tomar é realmente uma vergonha a nível nacional nessa matéria, uma vez que apenas 50% da população beneficia de saneamento em condições. Admitindo que os respectivos dados estatísticos municipais sejam fidedignos. Ao ponto a que chegaram as coisas, não surpreenderia se os ditos 50% correspondessem afinal a 30 ou 40%, empolados no papel para enganar incautos. Não seria caso virgem.
No saneamento como no resto, a experiência vem demonstrando, ao longo dos mais de quarenta anos de eleições livres e directas que já levamos, que convém escolher os melhores. E esses são os que basicamente sabem, sabem dizer e sabem fazer. Infelizmente, aqui em Tomar, por falta de escolha ou simples erros do eleitorado, temos tido sempre, (com a notável excepção do próprio Paiva), gente que sabe, ou julga que sabe, até sabe dizer e diz bem, mas quanto a saber fazer, é uma verdadeira desgraça. As asneiras sucedem-se, mas o orgulho desmedido, a auto-suficiência e a necessidade, impedem que apareçam as melhores soluções para o concelho.
O excesso de orgulho impede que dêem o braço a torcer. A auto-suficiência doentia não deixa pedir ajuda. A necessidade material impossibilita a demissão, porque "cá fora" viriam ganhar muito menos. Além do "penacho", a ascensão social, o reconhecimento público. Uma coisa é ser eleito, ter sido escolhido; outra muito diferente em termos de auto-estima é não passar de um obscuro funcionário público de província. Nestas condições, de asneira em asneira, de carência em carência, de palavreado em palavreado, com o êxodo populacional a acentuar-se de dia para dia, a pergunta impõe-se: -Até quando vai o concelho aguentar esta cada vez mais evidente decadência?
Uma vez que felizmente vivemos em democracia, não adianta perguntar quem nos acode. Ninguém nos virá acudir. Temos de ser nós a meter mãos à obra. Como? Antes de mais realizando e participando em debates sérios e abertos. O resto virá por acréscimo. No quentinho, a ver novelos e futebol na televisão, é que não vamos ter de certeza grande futuro.

Sem comentários

Sur les 303 stations du métro parisien, neufs seulement sont accessibles en fauteuil roulant, soit environ 3% du réseau métropolitain.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Comida requentada e ajustes estranhos

Não é para mim das tarefas mais agradáveis esta de comentar comentadores. Assim uma espécie de comida requentada, coisa de que nenhum cozinheiro digno desse nome gosta, porque um verdadeiro profissional de cozinha é sempre um criador. Nunca um imitador. Muito menos um usurpador. Este início para justificar que tenha de comentar uma vez mais as intervenções de António Alexandre e António Paiva, na Rádio Hertz, que pode ouvir aqui.
Como proceder de outro modo, quando se está a milhares de quilómetros de Tomar e a actividade política local é o que é? Para se ter uma ideia mais precisa do entorpecimento mental que é cada vez mais evidente pelas margens nabantinas, o qual emparceira com um também cada vez mais óbvio incremento do cabotinismo atente-se no seguinte episódio pacóvio, tão reles e triste que até me deu vontade de chorar.

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Espectadores no Festival Bons sons

O nosso colega Tomar na rede publicou uma notícia sobre as iluminações de Natal, que mais uma vez são o que são. O possível, quando reina o mais absoluto conformismo. Nessa notícia, há um detalhe pitoresco, para não dizer outra coisa: "Para este trabalho, a Câmara contratou por ajuste directo a Empresa José Noivo-Luz e som, Lda por 29.458 euros, valor que inclui os serviços de sonorização do Festival Bons Sons, em Cem Soldos, e o Festival Estátuas Vivas, em Tomar."  Três em um.
Perante tal salada, que mistura uma realização camarária (iluminação de Natal), uma mista (Estátuas vivas) e uma privada (Bons sons), quando apareceu um comentário, fiquei todo contente. Pensei para comigo, "até que enfim que alguém mais se arrisca a criticar." Engano meu. O comentário, de um anónimo como convém, perante matéria tão sensível, é afinal apenas tomarense dos novos tempos: "Muito bonito".
Indo agora, em estilo mais despachado, aos comentários dos comentadores. Mais uma vez, Paiva e Alexandre demoliram completamente a actual política camarária, sem atacar os autarcas. Alexandre referiu que, no estado actual das coisas, Tomar não tem condições para atrair grandes empresas. Paiva corroborou e acrescentou: não é aceitável que haja uma fila de espera para o parque empresarial, pois há outros locais adequados no concelho.
Quanto às obras em curso, Paiva insistiu que a primeira prioridade é o saneamento/rede de águas, a começar pelo centro histórico, onde cheira mal nalgumas ruas, sobretudo por tempo quente, devido à existência de um só colector, não protegido por sifões. Pediu até aos autarcas para não gastarem dinheiro em pavimentações, sem antes fazerem a rede de saneamento, porque são verbas deitadas à rua. Em sentido próprio e sentido figurado.
No que se refere à adjudicação camarária acima referida, há também pano para mangas. Com efeito, sabendo-se que a principal preocupação de quem executa contabilidade, sobretudo pública, deve ser a clareza, no caso em apreço qual a vantagem de uma tal salada? Quanto custa afinal aos contribuintes a Iluminação do Natal? E a sonorização do Festival de Estátuas vivas? E a sonorização do Festival Bons sons?
Que se saiba, a organização deste último cobrou entradas, que não eram nada baratas (e fizeram muito bem, porque assim é que deve ser nas sociedades evoluídas), obteve isenção de taxas, conseguiu um subsídio camarário de 50 mil euros, e afinal a Câmara até assumiu o custo da sonorização? Que raio de política cultural é esta? Qual foi o montante total dos auxílios da autarquia?
Quando é que tencionam publicar as contas do Festival bons sons 2017? A autarquia está a tentar dissimular o quê?
Citando o comentador anónimo antes referido, mas com outro sentido: "Muito bonito". Como quem diz, "Isto está cada vez mais bonito!"


sábado, 2 de dezembro de 2017

Alcobaça e Tomar

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Alcobaça e Tomar, Ordem de Císter  e Ordem de Cristo. Durante séculos o abade daquela era o visitador, que é como quem diz o inspector ou fiscalizador desta. Prática que deixou marcas, como não podia deixar de ser. Quase dois séculos após a extinção das Ordens religiosas em Portugal, seguida da nacionalização dos seus bens, em 1834,  leia aqui o estado das coisas em Alcobaça.
Durante a leitura, tenha a bondade de recordar a questão do quadro da igreja de S. João Baptista, que foi para Santarém, das obras de S. Gregório, durante as quais desapareceu um catavento manuelino com mais de quinhentos anos, das obras da fachada de S. João Baptista, das obras exteriores de Santa Maria dos Olivais, e assim sucessivamente.
Alcobacenses e tomarenses. Tão perto, tão parecidos e todavia tão diferentes.

LINHACEIRA: ESCOLA NOVA PARA QUE ALUNOS?

Tomar a  dianteira 3 já antes tratou o tema, a propósito de um comentador anónimo, mas de alto gabarito intelectual. Conforme se pode recordar clicando aqui, esse comentador criticou, em escrita pseudo-infantil, o facto de irem edificar uma nova escola, ignorando se haverá alunos para a frequentar dentro de 10/20 anos. Mais recentemente António Paiva e António Alexandre voltaram a abordar o assunto, esclarecendo que não dispunham de dados demográficos.

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Procurando esclarecer tal matéria de forma fundamentada, recorreu-se a um meio expedito, bastante mais acessível que os dados do INE -os inscritos nos cadernos eleitorais da Freguesia da Asseiceira, a qual integra a Linhaceira. O que se constatou não abona nada a favor de quem resolveu mandar edificar a nova escola.
Eis a evolução dos eleitores inscritos na Freguesia da Asseiceira, desde 1993, ano em que são facultados pela primeira vez, no Portal do Eleitor, os resultados de cada freguesia:

Temos assim que a evolução dos eleitores inscritos tem sido negativa e cada vez mais acentuada, excepto entre 2005 e 2009, em que se registou um ligeiro aumento:

De acordo com estes dados oficiais, da CNE e do MAI, em 24 anos, entre 1993 e 2017, a freguesia da Asseiceira, que integra a Linhaceira, perdeu 552 eleitores inscritos, o que corresponde a menos 17,75%. É muito e muito grave, sobretudo porque as perdas se acentuaram com a crise que começou em 2008, tendo chegado a 8,21% nos últimos quatro anos. Nestas condições, conviria que quem resolveu adjudicar a construção da escola explicasse aos eleitores tomarenses em que dados, demográficos ou outros, se baseou para tomar tal decisão. Sob pena de, caso o não faça, cair no descrédito total, ao mostrar que a autarquia tomarense, no fim de contas, decide conforme calha, ao acaso das pressões e dos fundos europeus.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

O costume

Refere a agência Lusa, num despacho datado de Coimbra, 27 de Novembro, que o "Programa rotas de Sefarad encerra, com uma execução de 95% e um investimento superior a 7 milhões de euros. A cerimónia foi presidida pela directora da Direcção Regional de Cultura do Centro, entidade operadora do referido projecto. Acrescenta o longo texto da Lusa que "Rotas de Sefarad, Valorização da Identidade Judaica Portuguesa no Diálogo de Culturas" foi lançado em 2014, "tendo como entidade promotora a Rede de judiarias de Portugal e um financiamento assegurado de 4 milhões de euros sendo quatro milhões do Fundo EEGRANTS, mais 705 mil euros do Estado. A estas verbas "juntaram-se ainda os cerca de 2,5 milhões de euros, assegurados pelos municípios onde foram realizadas intervenções." 
O fundo EEGRANTS, segundo a mesma notícia da Lusa, é um mecanismo europeu financiado pela Noruega, Luxemburgo e Lichenstein, que financiou em grande parte 17 intervenções materiais, que a directora da DRCC referiu nominalmente:
  1 - Memorial e Centro de documentação Bragança sefardita
  2 - Hejal - Centro paroquial de Nª Sª da Vitória - Porto
  3 - Sinagoga de Vila Nova de Paiva
  4 - Museu Bandarra - Trancoso
  5 - Memorial Aristides Sousa Mendes
  6 - Sinagoga de Malhada Sorda - Almeida
  7 - Casa da História Judaica - Sabugal
  8 - Museu judaico - Belmonte
  9 - Casa memória sefardita - Penamacor
10 - Casa judaica e dos cristãos novos - Castelo Branco
11 - Centro de diálogo interculturas - Leiria
12 - Sinagoga de Tomar
13 - Sinagoga de Castelo de Vide
14 - Presença judaica na Idade Média - Torres Vedras
15 - Museu Damião de Góis - Alenquer
16 - Casa da história judaica de Elvas
17 - Casa da Inquisição - Reguengos de Monsaraz

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Aspecto da sinagoga de Tomar

Perante tudo isto, duas constatações  se impõem. Desde logo que o nome do programa está desfasado da realidade. Não bate a bota com a perdigota. Em toda a Península Ibérica, houve e há judeus sefarditas, não sefarads, que é uma designação anglo-saxónica. Portanto, o programa devia ter sido designado "Rotas sefarditas", como de resto resulta claramente da "Casa memória sefardita", em Penamacor, ou do "Centro de documentação Bragança sefardita". A usual ganância perante fundos europeus, aliada à tradicional ignorância de quem ocupa lugares por nomeação política, deram nisto.
Em segundo lugar, este programa evidenciou uma vez mais a triste realidade deste país. Havendo fundos europeus para gastar, são mais que muitas as autarquias e outras instituições a candidatar-se.
Desta vez até o Centro paroquial de Nª Sª da Vitória, no Porto, se candidatou. O que não deixa de ser curioso e sombrio, quando vêm à memória as fogueiras da Santa Inquisição. Triste vitória.
Seria demasiado laborioso ir auditar cada uma das intervenções mencionadas. No que se refere à Sinagoga de Tomar, simples obras de reboco e pintura que teriam sido suficientes, (como bem sabem os que se interessam por estas coisas do património), redundaram numa intervenção orçada em perto de 300 mil euros, cuja utilidade prática global não convence ninguém. É o costume. Havendo fundos europeus disponíveis, há que candidatar-se, para gastar quanto mais melhor. Depois logo se vê.
Entretanto, enquanto a autarquia de Reguengos de Monsaraz promove a Casa da Inquisição (ver 17 supra), em Tomar o primeiro tribunal da Inquisição construído de raiz com essa afectação e a respectiva prisão, ambos da primeira metade do século XVI, continuam inexplicavelmente fechados ao público. Se calhar aguardando que haja fundos europeus para os abrir aos turistas. Uma tristeza.
Você, caro leitor tomarense, com longa vivência nabantina, sabe do que estou a falar? Seria capaz de indicar numa planta da cidade, se um turista lhe pedisse, onde fica o Tribunal da Inquisição e a Prisão da Inquisição?
Pois é...

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Por ser raro...

Esta mensagem já ultrapassou as 700 visualizações em menos de uma semana. Por ser raro, uma vez que Tomar a dianteira 3 não está nem tenciona vir a estar no Facebook, o que significa que não vive a pensar na audiência, assinala-se o facto. Porquê um tal leitorado, de todo inesperado? Isso também o administrador do blogue gostaria de saber. Se os leitores quiserem ter a amabilidade de explicar porque leram, aqui fica o mail e a promessa de que as opiniões não serão publicadas, excepto se antes expressamente autorizado pelos seus autores: anfrarebelo@gmail.com

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Porque partem os tomarenses?

Ao princípio, neste caso não era o verbo. Era o início das consultas democráticas. As primeiras eleições autárquicas. Nesse ano de 1976, o alinhamento era este: 
1º Abrantes, 35 pontos
2º Tomar, 32 pontos, 
3º Ourém, 27 pontos. 
Usa-se este método porque, num país onde tanto se fala e tão pouco se pratica desporto, nada melhor que um quadro classificativo para atrair a atenção do leitor. Temos portanto Abrantes em primeiro lugar, com 35 pontos, equivalentes a mais de 35 mil eleitores inscritos, Tomar em segundo, com 32 pontos...
Um quarto de século mais tarde, uma geração, em 2001 o quadro classificativo era já ligeiramente diferente:
1º Tomar, 39 pontos
2º Abrantes, 38 pontos
3º Ourém, 37 pontos
Volvidos mais  16 anos, em 2017 nova alteração, que deveria preocupar seriamente todos os tomarenses, mas aparentemente não incomoda ninguém:
1º Ourém, 42 pontos
2º Tomar, 34 pontos
3º Abrantes, 33 pontos

Temos assim, de acordo com os dados oficiais da CNE e do MAI, que em 41 anos, o último classificado da zona (Ourém), que estava a 5 pontos do segundo (Tomar) e a 8 do primeiro (Abrantes), ascendeu ao primeiro lugar,  com mais 8 pontos que o agora segundo (Tomar). Ou seja, nestes últimos 41 anos Ourém avançou 15 pontos percentuais, o que corresponde a mais 15 mil eleitores, enquanto Tomar conseguiu apenas mais 2 pontos percentuais, igual a + 2 mil eleitores e Abrantes recuou. Desceu dos 35 para os 33 pontos, o que corresponde a menos 2 mil eleitores.
Perante isto, naquele afã de encontrar desculpas, os políticos nabantimos que têm estado e os que estão no activo, são bem capazes de vir dizer que não estamos assim tão mal, uma vez que Abrantes ainda está pior. É o ponto de vista dos vencidos, que assim procuram esconder o óbvio -a fulgurante ascensão de Ourém- justificando-a com Fátima. Trata-se de uma argumentação balofa, que procura enganar as pessoas. Na verdade, o apogeu de Fátima ocorreu no século passado. Basta reparar nas reportagens televisivas, aquando das grandes peregrinações anuais, para disso se dar conta.
Na verdade, a pergunta óbvia é esta: Porque é que Tomar cresceu entre 1976 e 2001, e está a definhar cada vez mais a partir daí? Nos últimos quatro anos, durante o primeiro mandato socialista de Anabela Freitas, Tomar perdeu 2.496 eleitores, Abrantes 1.812 e Ourém apenas 1.107, ou seja menos de metade. Como? Porquê? Que leva os tomarenses a partir em cada vez maior número? Não será decerto por causa dos antepassados, pois tudo indica que não descendemos dos navegadores, mas dos que cá ficaram.
Apesar da gravidade que estes dados oficiais evidenciam, em Tomar ninguém se mexe. Os senhores autarcas ainda não julgaram necessário estudar ou mandar estudar o assunto, de forma a compreender o que se passa e depois procurar inverter a situação.
Enquanto as remunerações mensais forem pingando pontualmente, todas as desculpas servem. O pior vem depois, e tudo parece indicar que já não falta muito. Lamentavelmente.

Aplauso para uma decisão muito sensata

Quando nada o fazia esperar, na recente reunião da autarquia, chegados ao ponto 6, imperou a sensatez. Ainda bem para todos nós, incluindo os nossos eleitos. Tratava-se de debater o projecto de "Requalificação de espaços exteriores da Praceta Raúl Lopes", e a reunião até fora tornada pública, para que os cidadãos pudessem participar. 
Na senda do que vem fazendo, o vereador José Delgado avançou com uma proposta do PSD, dizendo que o "projecto base deveria ser repensado, dado que não acrescenta quase nada a Tomar" e que "introduzir um autocarro na placa central da praceta, não faz sentido". Foi a surpresa. A proposta laranja foi votada por unanimidade, com declaração de voto do PSD, a que Tomar a dianteira ainda não teve acesso.

Imagem relacionada

Se realmente se aprovou o recuo no projecto da praceta, para melhor ponderação do mesmo, trata-se sem dúvida de uma decisão muito sensata. Que deveria ser seguida também no que se refere à Várzea Grande e à entrada sul da cidade. Quanto mais não seja porque, a título de exemplo, duas pistas cicláveis numa mesma avenida, nem em Fortaleza, que tem mais de 2,5 milhões de habitantes, ou sequer em Paris, nos Campos Elíseos, que são bem largos. Acresce que, no referente à Várzea Grande, perde-se o estacionamento, perde-se a feira, gasta-se dinheiro que faz falta para outras opções, e afinal ganha-se o quê? Fundos europeus para estafar? Obra espalhafatosa, mas praticamente sem utilidade real, para além da imagem?
Com bem refere o leitor que fez o favor de enviar um longo comentário aqui publicado, "Se os projectos não servem as intenções, têm de ser substituídos. Fica mais barato do que pagar milhares em trabalhos a mais. Fazer intervenções baseadas em projectos desgarrados, sem continuidade nem integração com a realidade, é uma desgraça ainda maior do que não fazer nada."
Infelizmente, apesar da muito sensata decisão antes referida, a senhora presidente e a sua maioria parecem por vezes afinar por outro diapasão. Durante a mesma reunião, abordando a revisão do PDM, uma verdadeira calamidade para o concelho e para a cidade, dada a sua péssima qualidade, tanto em termos de fundo como de forma, Anabela Freitas foi extremamente clara: "Optámos por não deitar fora este trabalho iniciado há vinte anos. Vamos aprovar e em seguida avançar para uma revisão." Francamente! Onde é que já se viu alimentar a pão de ló um burro velho e enfermo para, uma vez tratado, tentar transformá-lo num esbelto cavalo de corridas?

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Preocupações de um tomarense

Tomar a  dianteira 3 recebeu uma longa mensagem, de um leitor devidamente identificado, que  solicitou o anonimato por razões pessoais. Quadro superior brilhante na área da engenharia e planeamento, conhece bastante bem o universo autárquico, por razões que a sua privacidade impede de explicitar aqui.
O que segue foi editado por Tomar a dianteira 3, procurando manter sempre as ideias do original recebido. Os destaques a negrito e a cor são da responsabilidade do editor.

"Vou lendo com alguma apreensão, o que tem revelado nos seus escritos diários.
Relativamente aos projectos da Várzea grande, Praceta Raúl Lopes e outros, entendo e  disponibilizo-me para o ajudar.
1. O parecer técnico emitido pela equipa de José Delgado relativamente a estes projectos, que permitirá uma decisão politica sobre os mesmos, está correcto. 
2. O problema da C.M.Tomar, é que adjudicou por ajuste directo projectos muito complexos a empresas sem capacidade técnica. Imagine o Sr. Professor fazer na sua casa um ajuste directo com o carpinteiro, para ele lhe substituir as torneiras. Será que pode correr bem? Só por mero acaso.

3. A C. M. de Tomar efectuou ajustes directos para projectos a empresas de amigos, sem definir no caderno de encargos dessa adjudicação quais eram as restrições e condicionantes à elaboração dos Projectos de execução, ou mesmo quais os estudos complementares necessários e obrigatórios, ou ensaios.
4.  Mais grave ainda, é a própria  Câmara de Tomar não querer pré-definir quais as regras de gestão de projecto (um ramo especifico da Engenharia) a cumprir, logo estamos perante uma salada russa em que nada se interliga. Os técnicos sabem bem como fazer, mas os políticos não deixam, uma vez que querem comandar o procedimento em curso.
5. Caso esta salada russa de projectos avance, estaremos perante uma loucura de trabalhos a mais.
Seria interessante o Sr. Professor solicitar a designação dos trabalhos e os mapas de quantidades de mão de obra e matéria prima associados aos desenhos que estiveram em discussão pública. Alguém os conhece? Alguém verificou se as quantidades de trabalho estavam correctas para o valor da obra? Quais os trabalhos que faltam nesses mapas? (Os mapas têm de estar incluídos na adjudicação destes projectos).
6. Já verificaram os montantes de trabalhos a mais, caso queiram avançar com estes projectos?
7. Atenção que o programa 2020 na requalificação urbana, tem condicionantes. Se os projectos não servem as intenções, têm de ser substituídos, fica muito mais barato do que pagar milhares em trabalhos a mais. Introduzir intervenções baseadas em projectos desgarrados sem continuidade nem integração com a realidade é uma desgraça ainda maior do que não fazer nada.
8. Porque será que a C.M. de Tomar não quer seguir as regras técnicas de gestão de projecto? (Área especifica da Engenharia e aplicáveis a todos os projectos de execução, projectos base, estudos prévios, programas preliminares, programas base, planos, etc..)
Se o Sr. Professor assim o entender, estou disponível para trocarmos informações, desde que mantenha o meu anonimato. Caso queira publicar alguma coisa disto, pode dizer sempre que foi pedido anonimato. Eles trabalham por detrás da ignorância dos outros, em matérias algo complexas e especificas.
Depois as pessoas interrogam-se: Como é possível aparecerem tantos trabalhos a mais?
Porque é que não pensaram atempadamente nas coisas como devia ser?
A situação económica e financeira da Câmara de Tomar e do nosso Concelho são demasiado más, mesmo das piores de Portugal. Isto vai ter repercussões sociais muito graves no futuro próximo.
Estou muito preocupado.
Lembre-se Sr. Professor: Nestes interesses das autarquias nada acontece por acaso."


segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Pessoas livres e as outras

El escritor español Fernando Savater.

O professor catedrático, filósofo e escritor espanhol Fernando Savater participou na recente Feira Internacional do Livro de Guadalajara, México, durante a qual apresentou uma importante comunicação, que referiu ser a última naquela feira, dada a sua idade. Tem 70 anos.
Para Savater, "Uma pessoa livre nunca se pergunta aquilo que ouvimos quase sempre por aí -Que vai acontecer? As pessoas livres tem de perguntar-se -Que vamos fazer? Porque acontecerá apenas aquilo que deixarmos que aconteça. Ninguém virá salvar-nos de parte alguma.
Todos nascemos rodeados de males e vamos morrer rodeados de males. Podemos apenas aspirar a que os males do final não sejam iguais aos do princípio. É a única coisa que se pode esperar."
(Quem desejar ler as declarações em espanhol, fará o favor de clicar aqui.)
Depois do texto anterior e dos respectivos comentários, pareceu importante publicar o excerto supra, de Fernando Savater, não fosse dar-se o caso de, apesar de todas as evidências, os queridos eleitores tomarenses se considerarem pessoas livres. 
Poderão ser muita coisas, praticamente quase tudo aquilo que quiserem. Mas pessoas livres, segundo a definição de Savater, não! Infelizmente. Porque em Tomar, minha amada terra, há tanta coisa que vai de mal a pior, perante a geral passividade dos cidadãos. E até dos eleitos. Sendo a culpa sempre dos outros, bem entendido.

domingo, 26 de novembro de 2017

E por cá? Continuamos a dormir à sombra do passado glorioso?



Assembleia Municipal de Ourém (Foto Rádio Hertz)

A Assembleia Municipal de Ourém reuniu, no passado dia 20, nas suas novas instalações, no salão nobre dos antigos Paços do Concelho. Tal como em Tomar, elegeram uma comissão para elaborar o respectivo regimento, constituíram a comissão dos líderes parlamentares e nomearam os representantes do concelho nos vários órgãos nacionais, regionais e locais.
Além disso, empossaram também duas comissões de capital importância em qualquer concelho médio ou grande do nosso tempo. Falo da "Comissão de planeamento urbanístico, ambiente, ordenamento do território e florestas" e da sua irmã gémea "Comissão de planeamento estratégico, actividade económica e turismo".
Que se saiba, nunca em Tomar existiram comissões homólogas, ou parecidas, nem consta que existam, ou que esteja sequer prevista a sua constituição. Porquê? Para evitar problemas com as sumidades da DGT - Divisão de Gestão do Território? Para não incomodar o executivo? Porque é muito mais fácil limitar-se a receber as senhas de presença, sem levantar ondas?
Trata-se em qualquer caso de uma situação objectivamente contraditória. Os deputados municipais de Ourém é que têm o Santuário de Fátima no concelho, mas os de Tomar é que parecem continuar à espera de milagres.
Pobre terra. Triste gente.

ADENDA

"Muita da nossa mediocridade, da nossa incapacidade de fazer reformas e do nosso constante adiar das escolhas difíceis, passam precisamente por fazermos de conta que continua a tutelar o país e a determinar as nossas vidas esse homem enterrado há 47 anos no cemitério de Santa Comba Dão."

Helena Matos, Observador, 26/11/2017

sábado, 25 de novembro de 2017

Pobre terra, triste gente...

A coisa aconteceu aqui. Um comentador anónimo, com evidente arcaboiço cabeçal, resolveu adoptar o velho estilo das cartas da Guidinha, do saudoso Luís Sttau Monteiro, no igualmente saudoso Diário de Lisboa. Com uma capacidade que não está ao alcance de qualquer um, esgalhou duas belas peças irónicas sobre a realidade local. Sem pontuação e em suposta linguagem infantil, não são de fácil leitura, pois decerto também não foi essa a intenção. Mas fazem rir e levam a pensar, o que em Tomar não é pouca coisa, apesar das aparências. Como bem dizia o outro, aqui em Tomar as iludências aparudem.
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Pavilhão multi-usos da Linhaceira, junto do qual vai ser construída a escola cuja edificação o autor dos dois textos critica vivamente, por não haver alunos para ela. (Foto Tomar na rede)

E foi exactamente o que aconteceu. Um leitor menos apetrechado para a leitura não teve quaisquer dúvidas. Abrigado no sempre confortável mas condenável anonimato, excretou esta sentença: "Além de não saber escrever e não saber o que diz o comentário anterior em nada esclarece. Pobre terra triste gente!"
Começando pela conclusão, a criatura nem sequer sabe copiar. Aquela exclamação de fecho é de Tomar a dianteira 3 e são duas frases: Pobre terra! Triste gente! Por conseguinte, devia haver no mínimo uma vírgula a separar as duas. Assim, acabou por adoptar, sem disso se dar conta, o mesmo estilo das peças que critica, intencionalmente desprovidas de pontuação.
Além disso, topa-se que o entendido crítico pretendeu escrever "comentador", pois o "comentário" não tem autonomia para esclarecer. Finalmente, as duas sentenças iniciais, "não saber escrever" e "não saber o que diz",  denotam um egocêntrico tão limitado em termos de massa cinzenta, que nem sequer foi capaz de concluir que a incapacidade é dele, ao não conseguir interpretar duas peças algo árduas e pouco habituais, todavia curtas e acessíveis para leitores treinados.
Considera-se esta ocorrência assaz importante, porque é um exemplo acabado da mentalidade dominante em Tomar. Tal como aqui o autor dos textos críticos é que passa por idiota chapado aos olhos do palonço comentador anónimo, quando afinal é exactamente o oposto, também na boa sociedade tomarense abundam aqueles para quem a culpa é sempre dos outros. Os políticos que nos pastoreiam, por exemplo, são todos excelentes. Nunca erram e têm sempre razão. Os outros é que são uns malvados ranhosos da pior espécie.
Razão tinha aquela  peixeira idosa do mercado do Bolhão, no Porto, ao aconselhar a filha, durante uma daquelas peixeiradas à nortenha, em que abunda o vernáculo: "Chama-lhe puta minha filha! Chama-lhe puta, antes que ela te chame a ti!"

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Ai como isto vai

A ADIRN - Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Norte, é um organismo sustentado com dinheiros provenientes da União Europeia, que tem uma loja na Rua Infantaria 15 e sede no Convento de S. Francisco, onde naturalmente não paga água nem luz nem aluguer. Gente rica é outra coisa e Tomar tem-se na conta de cidade rica. Depois os contribuintes tomarenses é que pagam. No recibo da água, por exemplo.
Ao que me disseram fontes geralmente bem informadas, um dos problemas da ADIRN, além do excesso de técnicos, do recrutamento endogâmico e do fraco trabalho já realizado, é o próprio nome. Realmente a designação "Ribatejo Norte" só existe mesmo na cabeça de gente que parece viver noutra órbita. Não se dão conta que basicamente o Ribatejo é a lezíria do Tejo, que acaba ali para os lados da Golegã. Daí para cima, qual Ribatejo norte qual carapuça.
(E porque não Beira Sul ou Beira Central? Não convém? Santarém não é o umbigo do mundo, nem do país, e já nem do Ribatejo. Vila Franca de Xira, que não faz parte do distrito de Santarém, tem mais do dobro da população santarena e todas as características do Ribatejo: lezíria, vinha, agricultura extensiva, criação de gado bravo, campinos, touradas, fandango... e as Festas do Colete Encarnado. Tudo num concelho em crescimento, enquanto Santarém vai definhando, agarrados a ideias de outros tempos.)

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O coordenador da ADIRN, numa foto da Rádio Hertz

Segue-se que a dita ADIRN até já organizou três vezes seguidas a Festa Templária, que depois deixou para a autarquia PS, atitude que ainda ninguém percebeu. Entretanto o seu coordenador viu publicada uma entrevista daquelas que cheiram mesmo a encomenda, num periódico online de que Tomar a dianteira 3 nunca antes ouvira falar, e que pelo jeitos é como os antigos comboios espanhóis, que chegavam quando chegavam. Também o citado periódico, Jornal Novo Almourol de sua graça, só publica quando publica. Basta dizer que a entrevista do líder da ADIRN é de 11 Maio de 2015 e entretanto a última notícia é de 11 de Outubro de 2017. Com semelhante periodicidade, está-se mesmo a ver que vão longe.
Mas voltemos à ADIRN e à tal entrevista do seu coordenador. Para não influenciar os leitores, Tomar a dianteira limita-se a difundir um excerto que pareceu mais significativo:
"Em contraciclo, tomarhttps://cdncache-a.akamaihd.net/items/it/img/arrow-10x10.png não tem um grande volume, como seria expectável, porquê?
tomarhttps://cdncache-a.akamaihd.net/items/it/img/arrow-10x10.pngficou um pouco para trás. Por um lado as freguesias urbanas não foram consideradas, onde poderia haver um maior dinamismo de investimento, e por outro lado nas freguesias rurais, de facto, não constatámos uma dinâmica tão grande, apesar de estarmos sediados em Tomar, e de as pessoas terem aqui acessohttps://cdncache-a.akamaihd.net/items/it/img/arrow-10x10.png à informação. De facto, não houve essa capacidade de aproveitar os fundos. Em alguns projectos que foram aprovados até houve desistências. Estou a lembrar-me de um projecto próximo da Ilha do Lombo que não conseguiu efectuar o projecto por dificuldade de licenciamento e do ordenamento da albufeira de Castelo do Bode. Outro na zona industrial que não levou o projecto para a frente… Creio que Tomar foi o concelho com menos investimento do Subprograma 3 do PRODER deste último quadro de apoio."
Cada um tirará as conclusões que entender. Para ler na íntegra a  encomendada entrevista, basta clicar aqui.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Uma fantochada

Mão amiga, a quem aqui agradeço, fez-me chegar um despacho  da agência Lusa sobre sanitários públicos em Lisboa. Refere a notícia que a Assembleia Municipal da capital aprovou por unanimidade uma recomendação, apresentada  pelo CDS/PP, para que o executivo da capital mande instalar sanitários públicos, pagando essas obras com a taxa turística.
Em Tomar, que se saiba, até agora ainda nenhuma formação política avançou com uma proposta semelhante, nem com uma outra para cobrança de taxa turística nos alojamentos hoteleiros da cidade. Os nossos deputados municipais têm preferido as comissões disto, daquilo e daqueloutro, com os resultados que todos conhecemos. Que Deus os abençoe, se puder.

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Verdade seja dita, os parlamentares municipais alfacinhas lá vão votando favoravelmente recomendações importantes para a cidade capital, mas em muitos casos tudo não passa afinal de boas intenções, simples fogo de vista. No mesmo despacho da Lusa, pode ler-se também que, "na apresentação da recomendação para a instalação de novos sanitários públicos, os deputados municipais centristas lembraram que a Assembleia Municipal de Lisboa aprovou em 2014 uma recomendação do CDS/PP, para instalação de sanitários públicos na zona do Cais do Sodré, "acção que ainda não foi concretizada pelo município".
Ou seja, lá na capital como cá em Tomar, é tudo uma fantochada, para usar um termo popular. Os membros do executivo assistem às sessões do parlamento municipal, mas não vêem nem ouvem. Fazem de conta que nem lá estão. Posteriormente, caso disponha de maioria, como sucede em Tomar, quem lidera a câmara faz o que quer, como quer, quando quer e ainda lhe sobra tempo para se insurgir contra quem ouse criticar. As assembleias municipais, tal como têm funcionando até agora, são simples ornamentos, para fingir que ao nível autárquico vivemos em democracia, quando afinal cada presidente de câmara tem todos os poderes de um ditador. Contra factos não adianta argumentar.

INFARMED: Uma solução muito consensual

Era previsível. Ao pretender compensar o Porto por ter sido preterido numa votação europeia que, (de acordo com a informação internacional), nunca teve qualquer hipótese de vencer, mudando a sede do INFARMED de Lisboa para a Invicta, o governo PS arranjou lenha para se aquecer durante o inverno. Só o pessoal do norte é que ficou contente. Com o presidente Rui Moreira à cabeça. Pudera! À falta de melhor...

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Assarapantados com tão repentina decisão, os funcionários daquela instituição já fizeram saber que estão contra a transferência, numa percentagem de 97%. Em Coimbra murmura-se por todo o lado, nos círculos canónicos, que Portugal não é só Lisboa e Porto, tal como também sustenta Daniel Oliveira, no Expresso. Enquanto isto, a população em geral limita-se por ora a estranhar decisão tão célere, num país conhecido pela sua burocracia pachorrenta, não acreditando minimamente no ministro que afiançou tratar-se de uma decisão ponderada.
Prevendo um agravamento sério da situação, Tomar a dianteira 3 propõe uma solução alternativa, muito consensual: INFARMED para Tomar já! Porquê? Ora ora! Está-se mesmo a ver. Desde logo porque Tomar fica a meio caminho entre a capital e a capital do norte. Depois porque também tem rio e comboio directo. A seguir porque está entre as urbes pequenas e as cidades médias, tem instalações devolutas no Complexo da Levada, e cada vez mais gente desiludida afirma que Tomar já não tem remédio. Com a vinda do INFARMED passaria a ter remédios, que o mesmo é dizer remédio para tudo. Acresce ser evidente na cidade nabantina a cada vez maior necessidade de medicamentos. Para uns porque a velhice não perdoa. Para outros, sobretudo na área política, porque a vida moderna está cada vez mais complicada e a cabeça não aguenta tudo sem uns adjuvantes adequados.
Finalmente, uma vez que o INFARMED  trata sobretudo de remédios e todos os remédios são para tomar, não se vê o que possa impedir que o INFARMED venha também para Tomar.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Tomar e Veneza -Mesmo problema, causas diferentes

Resulta da notícia anterior, traduzida do El Pais online, que desde meados do século passado a população de Veneza já diminuiu para metade. Acrescenta a mesma fonte que a hemorragia demográfica continua, agora ao ritmo de menos mil habitantes/ano. São duas as causas apontadas para tal debandada -a acqua alta, que inunda periodicamente parte da cidade e a invasão turística. Veneza tem, por enquanto, cerca de 55 mil habitantes e Tomar à roda de 37 mil.

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Praça de S. Marcos durante a maré alta. À direita o Palácio dos Doges. Ao fundo a catedral.

Uma vez que em Tomar o Nabão não tem marés nem grandes inundações, e por isso há muito que não inunda a baixa da cidade. Considerando igualmente que os 300 mil visitantes anuais do Convento de Cristo estão muito longe dos 24 milhões de Veneza, quais as causas da debandada da população tomarense? Entre 2013 e 2017 os eleitores inscritos no concelho nabantino diminuíram à média de 624 por ano. Porquê?
Já vimos em textos anteriores que o argumento da interioridade e da migração para a faixa costeira não convence ninguém. Assim sendo, que explicação ou explicações para o definhamento de Tomar? Não seria melhor celebrar um ajuste directo com um gabinete de estudos, ou com algum especialista, para estudarem o problema, tentarem encontrar as causas e fornecerem hipóteses de solução? Preferem continuar a aguardar que o problema se resolva, não se vê como? Confiam num improvável milagre para esclarecer o assunto?

Turismo de invasão

"Veneza ainda flutua? Ou já se afundou?"

"A cidade italiana decidiu limitar o acesso dos grandes navios de cruzeiro, para se proteger"

"Veneza é um parque temático de luxo. É ver, comer, pagar e calar." Eis o resumo aproximado das declarações feitas a semana passada pelo presidente da câmara, Luigi Brugnaro, procurando justificar que um restaurante, próximo da Praça de S. Marcos, tenha cobrado a uma família de três pessoas, que não falavam italiano, 526.50€ por uma refeição. Os clientes, indignados porque lhes trouxeram pratos que não tinham pedido, pagaram a conta e escreveram uma carta ao autarca porque tais práticas "podem arruinar a reputação de Veneza".
Nem sequer queriam o reembolso, segundo escreveram. Apenas lamentar o sucedido. A resposta de Brugnaro, durante uma entrevista ao canal TV Sky 24, foi contudo ainda mais surpreendente: "Comem, bebem e não sabem italiano. Se vêm a Itália, aprendam italiano, incluindo um pouco de veneziano. Comeram lagosta e nem sequer deixaram uma gratificação." Em suma, uma explicação que denuncia todo um modelo de turismo receptivo.

Navio de Cruzeiro entrando em Veneza - Foto Marco Di Lauro (Getty images)

A excessiva exploração turística de Veneza, a cidade mais afectada do mundo por essa indústria (55 mil habitantes, 24 milhões de turistas por ano), bateu no fundo com a chegada dos grandes navios de cruzeiro. Este ano desembarcaram dois milhões e meio de passageiros e o encanto da lagoa voltou a transformar-se num grotesco postal ilustrado, com navios gigantes a poucos metros do Palácio dos Doges. De maneira que o governo da Sereníssima decidiu que, a partir de Janeiro de 2018,  se reduza gradualmente o tráfico dos mega-navios de cruzeiro. O acesso continuará por enquanto aberto aos barcos de menos de 55 mil toneladas. Todos os outros serão desviados para o canal secundário de Malarmocco e atracarão no porto de Marghera, em Mestre, no arredores de Veneza.
Será suficiente? A decisão agora tomada responde a uma das condições impostas pela UNESCO para evitar que Veneza venha a ser eliminada da lista das cidades Património da Humanidade. Um plano para que o frágil eco-sistema urbano de 455 pontes, que unem entre si as 118 ilhas da cidade, não desapareça para sempre. Mas o projecto anunciado pelo Ministério italiano de Infraestruturas e Transportes não convenceu algumas organizações cívicas de Veneza, que em Junho recolheram 18 mil assinaturas a favor da proibição total dos navios de cruzeiro na lagoa. e do seu desvio obrigatório para Trieste. Por enquanto continuam a atracar até seis cruzeiros por dia, com 4 mil turistas cada um.
Certo é que Veneza se converte rapidamente num cenário maravilhoso, cada vez mais vazio. A população diminuiu dois terços desde meados do século passado. Não só pelos problemas ligados ao turismo de massas, mas também pelos inconvenientes resultantes da aqua alta -as marés que inundam as partes mais baixas da cidade lacustre. Nos nossos dias, a hemorragia populacional continua, ao ritmo de mil habitantes por ano, enquanto vão chegando sempre mais turistas, que contribuem para destruir o tecido comercial de proximidade.
Em 12 de Julho, o chefe da polícia limitou  o acesso de pessoas e de barcos à festa do Redentor. Foi mesmo evocada a hipótese de limitar a afluência turística à cidade dos Doges, colocando pórticos automáticos e cobrando entradas. A caixa de pandora para o actual inferno turístico. Que todavia não seria nada de extraordinário, tendo em conta que os italianos já têm de pagar para aceder à maioria das praias."

Daniel Verdú, El Pais online, 20/11/2017
Traduzido e adaptado do espanhol por António Rebelo
Comentário de Tomar a dianteira 3

Coitados dos italianos, que até para irem "à maioria das praias" já têm de pagar à entrada. Felizes tomarenses e forasteiros em geral, que só pagam no Convento de Cristo. O resto é tudo à borla. Incluindo a Festa dos Tabuleiros e outros eventos, que custam cada um mais de cem mil euros ao erário público. A ordem é rica, os frades são cada vez menos e a dívida municipal está só um pouco acima dos 20 milhões de euros. Uma ninharia. Enquanto os juros não subirem...
Há, também, é verdade, aquele problema do preço da água + taxas municipais e o outro, o da fuga da população, mas que é isso, comparado com a evidente felicidade dos tomarenses, sobretudo dos eleitos? Na altura de bater no fundo, alguém há-de providenciar colchões para amortecer o embate. O Estado ou a autarquia, pois claro. O pior é se acontece como nos incêndios do verão passado...

Remar para o mesmo lado...

Penso que deveríamos todos remar para o mesmo lado e eu quero acreditar que todos vos gostam da Mata e de Tomar tal como eu e acho que nos devemos insurgir com a entidade responsável pela Mata que penso ser o I.C.N e não debater pormenores de pouca importância, sugiro ainda que não havendo competência da parte da entidade responsável pela Mata deveria delegar definitivamente essa responsabilidade ao MUNICIPIO e aos Tomarenses. Cumprimentos.
Copiado de Tomar na rede

Desculpe lá, amigo Alberto Graça, ter trazido para aqui o seu comentário do  Tomar na rede. Suponho que não verá qualquer inconveniente, uma vez que, na sua opinião, "deveríamos todos remar para o mesmo lado", afinal aquilo que já acontece na área dos media:Todos trabalham para informar.
Foi justamente devido a essa sua vontade de que todos os tomarenses remem para o mesmo lado que resolvi escrever-lhe aqui. De forma a separá-lo pela positiva de todos aqueles anónimos de circunstância, entre os quais há muito boa gente, é certo, mas igualmente alguns que... 
Indo ao essencial, à questão de remarmos ou não para o mesmo lado, creio que o amigo Alberto, com o devido respeito, está a ver mal o problema. Do meu ponto de vista, os tomarenses que se manifestam de algum modo, uma minoria na verdade, estão todos irmanados na mesma luta e todos querem o melhor para Tomar. Procuram todos portanto, de forma implícita, "remar para o mesmo lado".

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Sucede contudo que, no barco democrático, cada qual tem o direito e o dever cívico de escolher o rumo que lhe parece o melhor, para chegar onde todos pretendemos -uma sociedade mais livre, mais justa e mais fraterna. Dirá o amigo que em Tomar há demasiadas divergências. Mas olhe que em democracia nunca há excesso de contestação, enquanto esta se mantiver nos limites da lei e dos bons costumes.
Por outro lado e sobretudo, apesar de ter garantido durante a campanha eleitoral que Tomar está "no rumo certo", manda a verdade dizer que a actual maioria instalada nos Paços do concelho ainda não conseguiu explicar aos tomarenses que rumo é esse, quais são as escalas intermédias e qual o destino final. É por conseguinte natural que haja tomarenses a remar em vários direcções, alguns até aguardando que lhes indiquem um rumo explícito, que lhes diga algo.
Termino abordando a questão da Mata Nacional, a antiga Cerca do Convento. Concordo consigo. Dada a evidente demissão do ICN, o melhor seria entregar aquele espaço verde aos cuidados da autarquia. Há porém um problema e dos grandes. Se você fosse o supervisor governamental do ICN, e resolvesse vir a Tomar antes, para ver in loco como vão as coisas, depois de olhar para os vários espaços verdes municipais, sobretudo para o Mouchão, a Praceta Raúl Lopes, a Cerrada dos Cães ou o ex-Parque de Campismo, ficava com alguma vontade de entregar a Mata à autarquia?
A situação é semelhante no que toca ao Convento de Cristo, cuja gestão a actual maioria autárquica pretende partilhar, ideia que conta com o apoio de quem escreve estas linhas. Porém, sendo  certo que aquilo não vai nada bem em certos aspectos, Deus nos livre de a Câmara actual partilhar a respectiva gestão. Quanto mais não seja porque não têm pessoal à altura e os eleitos ou funcionários  ideologicamente auto-suficientes são sempre um perigo latente. Conforme está à vista de todos, exceptuando os que não querem ver.

Em síntese é isto, amigo Alberto. Escreva sempre, pois opinar é cumprir um dever de cidadania.
Um abraço fraterno,
António Rebelo

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Produtos e tradições tomarenses no mercado de Alvalade em Lisboa




 António Freitas



O Mercado de Alvalade recebeu a visita de muitos  compradores e de tomarenses radicados em Lisboa

Foi com grande êxito que, pela primeira vez, a Casa do Tomar solicitou a cedência de espaço no mercado de Alvalade à respectiva Junta de freguesia  para, a exemplo de outras acções realizadas com muito êxito por anteriores direcções desta Casa regionalista, designadamente  na Praça da Figueira, Rua Augusta e Mercado de S. Domingos de Benfica e desta vez em parceria com a Câmara de Tomar, trazer a um bairro que tanto diz a Tomar, e  no qual está sediada a  Casa de Tomar em Lisboa,  a cultura, a tradição e os produtores locais. Tratou-se de ajudar a promover o concelho nabantino, dinamizando os produtores locais convidados pela Câmara, através do vereador Hélder Henriques, como  fazem com êxito algumas outras Câmaras nesta Lisboa sempre ávida de coisas novas.
Os mercados de Lisboa estão a perder clientes e esta é uma forma útil também para as juntas de freguesia, a quem  a Câmara entregou a gestão dos mercados.  Vendedores e residentes agradecem.
E foi isso que aconteceu em Lisboa. Um êxito! Mercado cheio das 8h00 ás 17h00, animação do Rancho Folclórico e Etnográfico de Alviobeira, com estátuas vivas de quadros rurais, dança, e bancas de venda para ajudar nas despesas, pois a deslocação teve custos, apesar da oferta de transporte em autocarro fretado pela Câmara de Tomar. O Grupo Pedra e Cal, sediado em Alviobeira no Centro Recreativo também participou, usando o mesmo transporte cedido pela autarquia animando e bem durante o dia.  Os integrantes do Grupo os Nabantinos pagaram do seu bolso o bilhete de outro autocarro, fretado pelo autor deste texto, à Fatimacar,  para que gente ida de Tomar ajudasse a compor  o mercado, já que na anterior edição neste mercado e feita pela Câmara da Covilhã a mesma autarquia fretou e colocou gratuitamente 3 autocarros para os covilhanenses irem a Lisboa.
Quanto aos produtores locais, estiveram quatro vimicultores ( Casal das Freiras, Solar dos Loendros, Adega Casal Martins e Herdade dos Templários) um produtor de mel, artesanato do Papagaio Louro, o Fumeiro Tradicional dos Templários, a Legenda Medieval com os doces,  um produtor de Frutos Vermelhos de S. Pedro, o Licor Templário do Sidónio, Charolinha,  Azeite S. Dorninho e Frutos secos da Sotorres de Alviobeira. Estes foram os convites possíveis para o espaço que foi cedido. Parabéns aos membros da direcção da Casa de Tomar, em especial ao Carlos Galinha, seu presidente, que se esforçou até mais não para que tudo corresse bem, bem como ao Carlos Silva, do Conselho Regional, que faz a ponte entre  a “Casa” e Tomar, ao Carlos Morgado e ao dinâmico Carlos Santos da junta da Junceira/Serra, entre outros. 
O Executivo da Junta da União de Freguesias de Casais e Alviobeira  esteve presente, através do seu presidente, João Alves, e do tesoureiro Luis Freire.  Foi a única freguesia, já que da sua área tinha o Rancho Folclórico e Etnográfico de Alviobeira, Grupo de Cantares Pedra e Cal, Adega Casal Martins.
A mostra, denominada “ Tomar invade o mercado de Alvalade” foi visitada pelo presidente da Junta de Alvalade, André Moz Caldas, acompanhado por mais três membros do executivo da Junta, da qual fazem parte dois tomarenses. Embora não estivesse previsto, houve discursos. O “quarto poder” presente a isso obrigou e foi salutar ouvir Carlos Galinha a agradecer a quem participou gratuitamente (a Casa do Concelho de  Tomar ofereceu o almoço) e à Junta que nos recebeu e à Câmara de Tomar, que apoiou desde a primeira hora. Hélder Henriques, vereador da Câmara de Tomar com o pelouro dos mercados, referiu que foi a sua  estreia, que vinha um pouco nervoso, mas que depois de ver “a moldura humana de tomarenses radicados em Lisboa, de compradores, de anónimos, a alegria dos vendedores residentes e dos que de Tomar vieram expor", se sentiu em casa e solicitou à Junta que  "mais acções e parcerias se façam, pois Tomar precisa de mais acções destas, de rodar os convites a outros produtores, pois tudo isto ajuda a dinamizar Tomar”
André Caldas, presidente da junta de Alvalade, referiu a boa relação e os laços que há entre Tomar e o Bairro de Alvalade, referindo que está disposto a que entre autarquias e com a parceria da Casa de Tomar se possam fazer mais acções, pois as mesmas ajudam a dinamizar o mercado de Alvalade, arrastam clientes  e  contribuem para que os produtores locais possam promover os seus produtos e os grupos quer de folclore quer de música se possam exibir.
Novas datas se irão acordar e num sistema de rotatividade serão convidados pela Câmara, através do vereador responsável, ranchos, grupos de cantares, música, tunas e produtores locais, artesãos,  ou embaladores e transformadores ( não revendedores) de forma a mostrar o que de melhor Tomar produz e nessa acção futura será sempre útil quem faz o quê ou produz manifestar a sua disponibilidade para não se ter que ouvir “ vão sempre os mesmos”

Texto editado por Tomar a dianteira

FOTOS DE ANTÓNIO FREITAS