terça-feira, 17 de outubro de 2017

A autarquia e o respeito pelos cidadãos

Esta foto foi obtida na tarde de terça-feira, 17/10/2017 e mostra um detalhe das obras actualmente em curso na Casa Vieira Guimarães, ao fundo da Corredoura:


Trata-se de obras indispensáveis, que consistem basicamente na limpeza e posterior pintura das fachadas. O problema reside na maneira como estão a ser feitas. Mais precisamente no que se refere aos andaimes. 
Se fosse um prédio particular, tinha de haver uma licença de ocupação da via pública e, naturalmente, um obrigatório corredor de circulação para os peões. Porque é óbvio que durante a lavagem e a pintura do prédio, não se pode transitar pela galeria sob os andaimes, que de resto foi vedada, o que está correcto em termos de prevenção.
Tratando-se de uma obra da autarquia, não há corredor de passagem para peões. Dava muito trabalho. Os cidadãos que se desenrasquem, usando a faixa de rodagem dos veículos. Ou atravessando para o lado oposto, obrigatoriamente fora da respectiva passadeira. 
É apenas um detalhe, porém muito elucidativo no que concerne ao respeito pelos direitos dos cidadãos. Se houver um acidente, será apenas mais um azar. Como no caso dos incêndios.
Não se trata obviamente de criticar os eleitos, que não podem ver tudo nem estar em toda a parte. Mas há funcionários para fiscalizar estas coisas, que pelos vistos andam distraídos. Porque será? 

Nunca se sabe...

Portugal é um país de brandos costumes e Tomar uma terra de costumes demasiado brandos em certas áreas. Apesar disso, é de elementar prudência ir sempre pensando que Nunca se sabe.
A peça que segue está muito afastada do âmbito deste blogue. Mesmo assim, pareceu importante publicá-la, entre outras coisas para homenagear todos aqueles que honestamente lutam de forma pacífica por uma informação livre ao serviço da comunidade. Trata-se de uma notícia publicada no LE MONDE online de 16/10/2017, actualizada em 17/10/2017.

"Em Malta, uma blogueira que denunciava casos de corrupção foi assassinada"

"Cronista em vários meios de comunicação, muito conhecida graças ao seu blogue muito popular, Daphne Caruana Galizia morreu ontem na explosão do seu carro de aluguer"

"Uma vez mais, Daphne Caruana Galizia acabava de publicar no seu blogue um artigo sobre um caso de corrupção implicando um político maltês. Na sua habitual escrita rápida e nervosa, expressou mais uma vez o seu profundo pessimismo perante essa epidemia local: "Doravante há vigaristas por todo o lado. A situação é desesperada."
Publicada às 14H35 de 16/10/2017, a frase adquire agora contornos premonitórios. A blogueira sua autora foi assassinada meia hora mais tarde, aquando da violenta explosão do carro de aluguer em que se deslocava. A viatura foi depois encontrada pelos serviços de socorro num terreno agrícola ao lado da estrada, próximo do seu domicílio. A natureza criminosa deste ataque contra uma figura da informação local que tinha muitos inimigos, não oferece quaisquer dúvidas. O primeiro ministro maltês, Joseph Muscat, que era um dos alvos principais de Caruana Galizia, classificou este acto de "bárbaro", acrescentando que "Hoje é um dia negro para a nossa democracia e para a nossa liberdade de expressão." Trata-se do primeiro assassinato político em Malta, desde os anos 80.
A jornalista agora desaparecida, historicamente próxima da oposição, tornara-se especialista na publicação de escândalos comprometedores implicando os políticos locais. O seu blogue em inglês era um dos mais lidos da ilha, frequentemente com mais leitores que os jornais tradicionais, nos quais ela colaborava ocasionalmente, mesmo se a maior parte dos seus rendimentos vinham da sua actividade como editora.

O estado em que ficou o carro conduzido pela jornalista

Publicou designadamente numerosos artigos sobre a implicação de gente próxima do primeiro ministro Muscat nos Panamá papers. O filho de Caruana Galizia, que estava em casa aquando da explosão, trabalha para o Consórcio internacional de jornalistas de investigação (ICIJ), que integra o LE MONDE [e em Portugal o EXPRESSO].
Com 53 anos, esta jornalista corajosa mas controversa tinha recentemente arranjado inimigos no seio do partido da oposição, que no entanto tinha apoiado aquando das eleições legislativas, em Maio. Publicou nomeadamente vários artigos em Agosto sobre o novo lider da oposição, Adrian Della, acusado de ter uma conta na ilha de Jersey, alimentada, segundo ela, por dinheiro proveniente da prostituição londrina. Esses artigos provocaram vários processos por difamação, de que ela fazia colecção, conjuntamente com as ameaças de morte, frequentes numa ilha tão pequena e dividida como Malta.
"Era muito independente na sua maneira de pensar", declarou Arnold Cassola, ex-líder do Partido Verde maltês. "Foi ela que revelou os maiores escândalos de Malta, mesmo se também arranjou muitos inimigos ao escrever por vezes coisas estúpidas."
É verdade que entre as manchetes, Caruana Galizia gostava também de criticar o vestuário dos membros da família dos responsáveis políticos, usando por vezes um vocabulário algo impróprio. No seu penúltimo texto de blogue, criticava a postura corporal de Adrien Della e "o seu pescoço que ultrapassa em 45 graus as omoplatas, como uma tartaruga".
Questionada pelo Le Monde em Maio sobre este tipo de textos de blogue, que muitos malteses consideravam que prejudicavam as suas restantes publicações, defendeu o respectivo estilo: "Penso que é importante, porque os políticos usam a sua imagem e até se servem dos seus filhos menores para fazer campanha."

Chocados, milhares de malteses desceram às ruas na segunda-feira à noite, para homenagear a jornalista e denunciar os bastidores pouco apresentáveis deste país membro da União Europeia desde 2004. O líder da oposição, Adrien Della, disse mesmo que este assassinato é uma "consequência directa do desmoronamento total do Estado de direito no país." "Isto é mais parecido com a Rússia do que com a Europa", confirma o eurodeputado Verde alemão Sven Giegold, que tinha conversado com Caruana Galizia no inverno passado, no âmbito da comissão de inquérito sobre os Panamá papers. "A sua paixão era revelar verdades secretas; mas numa sociedade estreita como Malta é algo muito difícil."
Apesar dos numerosos escândalos revelados por Caruana Galizia, o primeiro-ministro Joseph Muscat foi reeleito com larga maioria nas eleições legislativas de 3 de Junho passado."

Jean-Baptiste Chastand, Le Monde online, 17/10/2017
Tradução e adaptação de António Rebelo, UPARISVIII

domingo, 15 de outubro de 2017

Sem condições não vamos lá

Alguns instalados, também conhecidos como militantes do partido do Estado, no caso responsáveis pelo estado a que Tomar já chegou, não gostaram mesmo nada dos textos sobre Toledo. Em relação ao mais recente as reacções foram categóricas: Fica muito caro; é uma coisa boa para Toledo, que tem muito mais habitantes e muito mais turistas; ia estragar a encosta do castelo... Pobre gente!
Alguém do grupo com o qual visitei Toledo disse que um elemento da autarquia lhe pedira para tirar fotografias das escadas mecânicas, de forma a ver se era possível mandar instalar algo parecido em Tomar. De forma que, ponham-se a pau partidários do imobilismo. Até os autarcas agora reeleitos já andam a pensar no assunto, o que se saúda por ser coisa rara.
É certo que dotar a cidade com equipamentos à altura das necessidades, dos quais faça parte um acesso ao Convento por escadas rolantes, é algo caro e tecnicamente muito complexo, que exige planeamento atempado e competente. Também é verdade que tem de haver muito cuidado na discussão, no estudo e na elaboração do projecto global e dos sectoriais, de forma a evitar erros dificilmente reparáveis, entre os quais a possibilidade de alterar o aspecto actual da encosta do castelo, ou de gastar verbas em vão.. Mas tudo o resto não passa de balelas de circunstância. De falsos argumentos para esconder a simples recusa do progresso... e a evidente falta de gabarito de certa gente.
Toledo tem realmente mais do dobro dos habitantes de Tomar e recebe muito mais turistas, conforme já foi referido aqui. Mas que tem isso a ver com infra-estruturas turísticas, indispensáveis nos tempos que correm? Por um lado, se o empreendimento for bem planeado e a sua implementação bem conduzida, a câmara nada terá que investir e ainda irá receber. Por outro lado, há pelo menos um município cujo principal monumento recebe muito menos turistas que Tomar e que apesar disso já dispõe de ligação por escada rolante entre o núcleo urbano e o castelo:



 

Não, não fica em Espanha, nem no estrangeiro. Basta reparar na bandeira hasteada. É em Montemor o velho, a pouco mais de cem quilómetros de Tomar, e  as escadas mecânicas foram inauguradas em Junho de 2013. Três meses antes de eleições autárquicas.
Montemor o velho tem apenas 22 mil leitores, contra 34 mil em Tomar. O PS ganhou aí as recentes autárquicas, obtendo 51, 21% dos votos expressos, contra 40,22% do PS em Tomar, mas em ambos os casos os socialistas têm maioria absoluta, com 4 eleitos, contra três do PSD.
Em Montemor o velho a abstenção bruta (abstenção + votos brancos + votos nulos) foi de 41,1%, contra 49,6% em Tomar. Uma vez que em 2013 o PS conquistou a câmara de Montemor o velho à coligação PSD/CDS, mas com apenas 40, 45% e 3 eleitos em 7, parece óbvio que as escadas rolantes valeram, quatro anos após a inauguração, uma folgada maioria absoluta aos socialistas do vale do Mondego.
O administrador deste blogue sabe que há na autarquia tomarense quem não goste dele. É natural. Têm razões para tanto. Trata-se afinal de uma das raras vozes livres na informação local. Por isso, aqui deixa como testemunho de compreensão e de simpatia este guardanapo para se limparem, o qual é ao mesmo tempo um acto de justiça para com o autor do projecto de instalação das escadas rolantes em Montemor o velho, o arquitecto Miguel Figueira, que Tomar a dianteira não conhece pessoalmente. E com quem nunca teve qualquer contacto escrito ou presencial.
Quando autarcas e funcionários superiores municipais não se limitam ao show off e a receber ordenados e mordomias ao fim de cada mês, a obra aparece. E os municípios vão progredindo...

ADENDA

Para quem queira e tenha recursos para pensar um bocadinho nestas coisas da política local, dos equipamentos indispensáveis, da atitude da população, dos eleitos e dos funcionários superiores, aqui vai um pequeno quadro que mostra a diferença entre um concelho onde se trabalha em prol de todos e outro onde tem sido praticamente só show off e conversa fiada:

                                Fonte: https://www.autarquicas2017.mai.gov.pt/



Adeus TAP portuguesa? Ou simplesmente adeus TAP?

Não é de todo a área de intervenção deste blogue, mas o assunto pareceu assaz importante para merecer uma excepção, até porque pelo menos dois leitores assíduos trabalham na TAP. 
Abordando numa página inteira as dificuldades crescentes das companhias aéreas europeias, o Le Monde, refere nomeadamente, na sua edição papel datada de sábado, 14/10, o desaparecimento da belga SABENA e da suiça SWISSAIR, bem como a compra pela BRITISH AIRWAYS da espanhola IBÉRIA e da maior parte da falida AIR BERLIN pela também alemã LUFTHANSA.


A mesma peça refere igualmente a recente falência da britânica MONARCH, que deixou em terra mais de cem mil passageiros com bilhetes já pagos, bem como  a  ALITALIA,  que terá de declarar falência, caso não encontre nova parceria de negócios até amanhã, 16/10,  terminando de modo pouco ou nada tranquilizador para os admiradores e pessoal da TAP - Air Portugal:
"Pior ainda, estas companhias [que operam sobretudo no longo curso] são agora também atacadas por baixo,  pelas companhias de baixo custo como a NORWEGIAN", assinala Stéphane Albernhe, presidente da sociedade de conselho Archery Strategy Consulting - ACS. Um ataque em tenaz que poderá vir a provocar mais baixas. Para sobreviverem, essas companhias aéreas têm de fazer reformas, "mas têm de as fazer com grande celeridade, porque caso contrário morrem." 
Segundo os especialistas, as próximas participações de falecimento poderão ser as da escandinava SAS ou da portuguesa TAP, ambas com dificuldades crónicas."

Guy Dutheil, Le Monde, Economie et Entreprise, 14/10/2017, página 5
Tradução, adaptação e destaques de António Rebelo, UPARIS VIII

Objectivos opostos - 5

Comparando Tomar e Toledo - 3

Antes de iniciar este texto, será melhor ler aqui, aqui e aqui. Caso contrário pode muito bem ficar um bocado baralhada ou baralhado.

Apesar de tantas opções opostas, há também um sector em que os bons autarcas de Tomar e os maus autarcas de Toledo convergiram -o dos parques de estacionamento. Tal como António Paiva mandou fazer em Tomar, também os eleitos das terras de D. Quixote e Sancho Pança, dotaram em tempo oportuno a sua cidade de parques de estacionamento. Aí termina porém a convergência.
Enquanto em Tomar o excelente Paiva encravou um parque de estacionamento em pleno núcleo histórico, e outros demasiado acanhados junto ao Convento de Cristo, principal monumento da cidade, da região e do país, todos sem instalações sanitárias de acesso livre, os péssimos autarcas toledanos viram bastante maior e muito mais longe. Mandaram instalar parques de estacionamentos cobertos e descobertos, devidamente equipados e com milhares de lugares, fora das muralhas, como mostram parcialmente estas fotos:




Segundo informações recolhidas por Tomar a dianteira 3, há em Toledo, cá em baixo, fora das muralhas, capacidade para estacionamento de mais de dois mil ligeiros e 250 autocarros. Só o parque coberto para autocarros, com vários pisos enterrados, tem lugar para 120 veículos.
E para subir?, perguntarão aqueles tomarenses que, como diz o jornalista tomarense e meu amigo, António Freitas, "coitados nunca saíram do buraco". Para subir, os autarcas toledanos permitem que os seus eleitores e os turistas escolham. Ou sobem a pé, que é o mais saudável e económico, ou vão por aqui:









Pois é! Após quatro lances de escadas rolantes, residentes e turistas chegam aqui:



Onde dispõem de amplas e modernas instalações sanitárias no subsolo (entrada pelo lado direito da foto), de um posto de informação, de uma loja de recordações, de distribuidores automáticos de bebidas e deste magnífico panorama de Toledo, lá em baixo, fora da muralhas:


Daqui, os residentes vão à sua vida e os turistas vão calcorrear as ruas do centro histórico, aproveitando para comprar aqui e ali, que é afinal o que interessa, sobretudo aos comerciantes toledanos. Compras sentado no pópó, ou com o pópó à porta, só na Net, nos hipermercados, nos Macdonalds...e no Convento de Cristo, quando há lugares, o que é raro durante a alta estação. 
Perceberam agora, senhores autarcas tomarenses? O turismo enquanto tal não desenvolve a economia tomarense, nem cria empregos. As despesas dos turistas é que podem ajudar substancialmente as depauperadas finanças e o investimento locais. Mas para isso é primordial que os turistas gastem, que passem pelas lojas. O que não acontece com eventos generosamente financiados pela autarquia, mas sem entradas pagas. Ou com os autocarros e pópós acumulados junto ao castelo e ao convento, cujos passageiros chegam, visitam e põem-se na alheta. Por essa via, nunca mais vamos conseguir sair da cepa torta. É apenas mais uma versão moderna da velha agricultura portuguesa, que era "a arte de empobrecer alegremente".
Ou será que vai tudo bem, sou eu que estou a  ver mal, e a população tomarense continua a diminuir apenas por mero acaso?

sábado, 14 de outubro de 2017

Tudo muito divertido mas...

Ao que li, a inauguração da Feira de Santa Iria correu muito bem e foi muito divertida e tudo. O costume. Na circunstância, Bruno Graça declarou que provavelmente será este o último ano em que a feira se realiza na Várzea grande, uma vez que as obras ditas de requalificação daquele espaço público vão começar em breve. O ainda vereador da CDU foi logo secundado pelo actual vice-presidente, Hugo Cristóvão, que confirmou a inevitável mudança de local da multicentenária feira.
Até aí tudo muito bem. Seguiu-se mesmo um convite inesperado da senhora presidente Dª Anabela Freitas para uma volta de carrossel, prontamente aceite por todos, com destaque para o ainda presidente da Assembleia Municipal e para o futuro líder da oposição José Delgado. No meu entender de pobre parolo, mais um acto que evidencia o comportamento muito tomarense dos reeleitos e dos novos eleitos.
Como os leitores de TAD3 sabem, os autarcas dividem-se em dois grandes grupos. O grupo A mostra as obras que tem feito. O grupo B, como não tem obras para mostrar, vai-se mostrando. Um pouco como aqueles turistas que, em vez de fotografarem paisagens e monumentos, vão-se entretendo a fazer selfies, decerto considerando que eles  é que são o motivo da viagem e o enquadramento geográfico apenas um cenário. Novos tempos, novos hábitos...

Foto mediotejo.net

O caso nem seria grave, mesmo tendo em linha de conta a tomada de posse e a primeira sessão da Assembleia Municipal de Tomar a realizarem-se num cine-teatro, transformando assim actos administrativos que deviam ser solenes num mero espectáculo, não fora a dimensão dos problemas em causa, de cuja abordagem pública os membros do próximo executivo fogem como o diabo foge da cruz. Percebe-se porquê.
No caso do novo local para a feira, nada dizem porque não têm a menor ideia sobre tal matéria. Que como habitualmente nesta desgraçada terra é bem capaz de ser decidida em cima da hora e em cima do joelho. Bem gostaria de estar enganado.
Quanto às obras ditas de requalificação da Várzea grande, será dinheiro europeu deitado ao vento, pois dois motivos principais. O primeiro deriva da evidente má qualidade e inadequação do projecto face às necessidades da cidade. O outro implica que, mais cedo que tarde, quando finalmente a autarquia resolver mandar elaborar um plano local de turismo digno desse nome, tal documento terá de recomendar  a construção de um parque de estacionamento de superfície e subterrâneo, em toda a área da Várzea grande (excepto palácio da justiça) e do ex-Convento de S. Francisco, incluindo dependências do ex-RI 15. A inevitável construção desse equipamento fundamental e inadiável, vai implicar forçosamente a destruição da maior parte da "requalificação" entretanto efectuada, por não haver outro local tão adequado, por razões que seria demasiado longo explicar aqui. Mas como é dinheiro de Bruxelas e os tomarenses se calam a tudo...

Objectivos opostos - 4

Nota prévia
A estatística da Google mostra que os textos sobre turismo, Tomar e Toledo são muito menos lidos que os outros. Dado que o autor e o estilo são os mesmos, a conclusão impõe-se: Algum leitorado de Tomar a dianteira prefere o véu diáfano da fantasia à nudez forte da verdade. Se calhar é também por isso que os resultados eleitorais foram o que foram e que Tomar está como está. 

Comparando Toledo e Tomar  - 2

Prosseguindo no âmbito da crítica construtiva favorável aos autarcas tomarenses, cabe recomendar a leitura atenta das peças anteriores sobre este mesmo tema. Aí se informa que Toledo tem em proporção menos de metade dos funcionários municipais de Tomar -626 para 83 mil habitantes em Toledo, (incluindo 119 polícias), contra 500 para 40 mil habitantes em Tomar. Ai se escreve também que o Conselho municipal de Toledo, equivalente da nossa Assembleia Municipal, conta apenas 25 eleitos, contra 32 em Tomar. 
Gastando assim muito menos que Tomar em despesas fixas e permanentes, Toledo beneficia além disso de receitas muito superiores. Segundo o INE espanhol, a capital de Castilla La Mancha tem 340 hotéis e 115 alojamentos locais, que em conjunto registaram em 2016 906.390 pernoitas, sendo 646.135 de espanhóis e 256.315 de estrangeiros. Para se ter uma comparação mais sólida, 906 mil pernoitas representam 3 noites passadas em Tomar por cada um dos 300 mil visitantes do Convento de Cristo. Se houvesse capacidade hoteleira instalada para isso, bem entendido. Só que em Tomar não há 34 hotéis, quanto mais agora 340. E pelo caminho que as coisas levam, nunca haverá.
Assim poupados e com verbas abundantes, os autarcas toledanos vão asneirando, em vez de se guiarem pelas conhecidas boas práticas dos seus homólogos tomarenses. Além de terem suprimido as algas no Tejo, limitaram singularmente o trânsito automóvel dentro das muralhas, o tal centro histórico, onde residem cerca de 10 mil pessoas. De que maneira? Mandando instalar pilaretes inteligentes, como o desta fotografia:

Quando se aproxima um veículo com o identificador adequado, o pilarete do meio baixa e o carro pode passar. O dito identificador é fornecido pela autarquia unicamente aos residentes com garagem, bombeiros, ambulâncias, polícia, médicos e enfermeiros. Os outros não entram.
Em Tomar, como é sabido, vem todas as manhãs e todas as tardes um bombeiro num veículo da corporação, levantar e baixar os pilaretes ao fundo da Corredoura. O quartel dos bombeiros fica a menos de 250 metros dos pilaretes, mas andar a pé cansa. Sobretudo aqueles bombeiros que, como se sabe, em geral apagam os fogos montados nos seus veículos...

Referi antes que os autarcas de Toledo vão fazendo asneiras, porque parto do princípio que os eleitos tomarenses têm feito, estão a fazer e farão o melhor que podem e sabem em prol de Tomar e dos tomarenses.. E como não tem sido nem é nada disto, mas o exacto oposto, os toledanos só podem estar no mau caminho. Tou certo ou tou errado?