sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Outra vez as mesmas asneiras?

"Em resultado de inquéritos realizados aos seus associados, a NERSANT – Associação Empresarial da região de Santarém iniciou o encontro “Viver o Tejo” desta quarta-feira, 15 de novembro, a defender a criação de uma entidade de turismo do Ribatejo. A divisão da região, que engloba sensivelmente o distrito de Santarém, entre Turismo do Centro e o Turismo do Alentejo não agrada aos empresários, que defendem outra solução para a estratégia de turismo a nível regional."
Garanto que tive de ler duas vezes, para me certificar que não estava a ver mal. Que se tratava mesmo de uma notícia publicada aqui e não de uma visão, ou de mera brincadeira. Isto porque me recordo bem do sucedido nos idos de 80 do século passado.
Em Tomar governava a AD, liderada por Amândio Murta e em Santarém o PS, com Ladislau Botas na presidência. O vereador com o pelouro do turismo nas margens do Nabão, Alberto do Rosário Pereira, veio ter comigo, nessa altura deputado municipal na bancada do PS, pedindo para o ajudar em Santarém, onde ia realizar-se uma reunião com todos os municípios do distrito, para debater a formação de uma comissão regional de turismo. Alegou que não se sentia preparado em tal matéria e por isso me solicitava assessoria técnica, uma vez que se tratava de algo em prol de Tomar.
Falei sobre o assunto com Fernando Oliveira, da APU (agora CDU), que na altura dirigia várias autarquias do distrito. Perguntou-me qual a minha posição. Simples ajuda como técnico, para defender que, a haver uma comissão regional de turismo no distrito, a sede deverá ser em Tomar e nunca com a designação "do Ribatejo". Caso contrário, Tomar não fará parte. O representante da CDU pediu para pensar, prometendo uma resposta para o dia seguinte.
Obtido o apoio dos comunistas, "podes ir descansado que os autarcas CDU não te apoiam mas também não te atacam", disse-me o Fernando Oliveira), lá fui com o vereador Rosário Pereira, do PSD, até aos Paços do concelho de Santarém.
Os autarcas socialistas presentes ficaram muito surpreendidos, uma vez que eu integrava na altura a Comissão política distrital do PS, mas sossegaram quando lhes disse que estava ali apenas como assessor técnico do vereador Pereira. Infelizmente este, pouco depois de começar a reunião, alegou que tinha de ir para Lisboa,  assistir a uma aula do curso de direito que então frequentava. 
Fiquei portanto sozinho e numa posição ingrata, pois sendo do PS estava ali para defender a posição da AD.
Quando tive de intervir, referi em síntese, com o apoio de vária documentação nacional e estrangeira que antes reunira e tinha comigo, que só havia no distrito de Santarém dois centros turísticos dignos desse nome: Fátima, no concelho de Ourém e Tomar, por causa do Convento de Cristo. Houve naturalmente alguma contestação, à qual procurei responder fazendo ver que Santarém apenas era conhecida além fronteiras ali pelas bandas de Badajoz e da Andaluzia, devido a afinidades culturais (tauromaquia, grandes propriedades, criação de gado bravo, por exemplo), pelo que não se justificava um organismo regional de turismo sediado em Santarém e, em qualquer caso, Tomar nunca faria parte dele, por estar noutro nível.


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Tempos depois, vim a saber que tinha sido decidida em Lisboa a criação de duas comissões regionais de turismo. Uma com sede em Tomar, outra em Santarém. Soube disto porque o ex-presidente e então vereador PS, Luís Bonet, veio falar comigo no café Pepe, confessando que no executivo estavam com dificuldades para encontrar um nome para a comissão regional de turismo a criar em Tomar.
Mais uma vez aceitei ajudar, em prol da minha terra. Escrevi num guardanapo de papel três hipóteses de designação para o novo organismo oficial: A - Comissão Regional de Turismo das Albufeiras, B - Comissão Regional de Turismo da Floresta Central, C - Comissão Regional de Turismo dos Templários. Para grande surpresa minha, a designação oficial definitiva veio a ser "Comissão Regional de Turismo dos Templários, Floresta Central e Albufeiras". Olha se, em vez de três, tenho indicado meia dúzia de hipóteses!
A partir daí, quando começou a haver orçamento folgado, muitos se penduraram, alguns durante anos. Até um que mais tarde foi ministro e deu que falar. Mas nunca mais precisaram da minha ajuda. Pudera! Com tanto dinheiro público à disposição...
O resultado final é conhecido. Em simultâneo, Santarém tinha liderado a formação da Comissão Regional de Turismo do Ribatejo, naturalmente ali sediada. Havia portanto dois organismos gémeos no distrito, mas nem um nem outro conseguiram fazer obra ou sequer deixar boas recordações, excepto para aqueles que souberam aproveitar-se do excessivo liberalismo lisboeta. Até que, salvo erro, um governo liderado pelo PS, resolveu acabar com a mama, extinguindo as dez comissões regionais de turismo existentes no país, que foram reduzidas a cinco, uma por cada região-plano: Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve.


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Mais uma prova de que quem defende o Ribatejo geralmente não sabe estar. A entidade regional de turismo é do Alentejo, mas Santarém já obteve o acrescento de Ribatejo. Agora imagine-se que na Entidade regional de Turismo do Centro, da qual faz parte, Tomar exigia a menção "e dos Templários". Era um escândalo, não era? Mas tratando-se de Santarém... E mesmo assim não estão contentes. Sonham com o regresso do "brinquedo de Carlos Abreu", entretanto falecido. Há coisas que nunca mudam.

Vem agora a NERSANT dizer que os membros daquela associação empresarial lamentam a divisão do distrito, uma vez que a Lezíria do Tejo, liderada por Santarém, aderiu ao turismo do Alentejo e o Médio Tejo, onde pontifica Tomar, ao Turismo do Centro. Pois foi. E quem terá dito aos associados da NERSANT que Tomar e  o Médio Tejo têm alguma coisa a ver com o Ribatejo em termos turísticos? Há na Entidade de Turismo do Centro, quatro conjuntos monumentais com o selo de qualidade Património Mundial ou da Humanidade (Alcobaça, Batalha, Coimbra e Tomar). Na área da agora reivindicada Entidade regional de Turismo do Ribatejo, há quantos? Nenhum.
Seria portanto totalmente ridículo se, na área da promoção turística, quatro décadas depois, tudo recomeçasse na estaca zero,  para dentro de alguns  anos  se chegar de novo à conclusão, sempre constatada nos factos, porém nunca assumida, que o problema desta e de outras regiões turísticas do País foi e é afinal o excesso de boys à procura de tacho e a evidente falta de gente preparada e competente.
A actual líder da NERSANT e a respectiva massa associativa são jovens. Quiçá não conhecessem estes detalhes pouco brilhantes da história local e regional. Por isso aqui fica a informação, subscrita por um dos protagonistas, que nada auferiu para além da satisfação de servir a sua terra. Em vão, mas a culpa não foi dele.

(Para aqueles leitores que eventualmente ignorem alguns detalhes da vida do autor, esclarece-se que António Rebelo, além de professor, foi Profissional de informação turística, com a licença nº 159, tendo-se mais tarde doutorado em Economia do Turismo, na Universidade de Paris VIII. Foi também o principal autor do projecto de candidatura do Convento de Cristo a Património da Humanidade, aprovado em Friburgo (Suiça), em 1983.)

anfrarebelo@gmail.com


Incompetência intencional na autarquia?

Título, destaques e comentário de Tomar a  dianteira 3

"Refira-se que os elementos disponibilizados do Projecto de Requalificação de Espaços Exteriores da Av. Coronel Garcês Teixeira e Av. Dr. Aurélio Ribeiro e do Projecto de Requalificação de Espaços Exteriores da Praceta Raúl Lopes, em termos de peças desenhadas e escritas, estão aquém do que habitualmente se entende por projecto de execução, estando ao nível de um estudo prévio, faltando informação clara e objectiva e pormenorização adequada, de forma a ser possível uma apreciação objectiva.

A ciclovia proposta está desgarrada e é um estudo avulso, que não serve nem a cidade e muito menos os potenciais utilizadores de bicicletas, não tem consistência e não oferece as condições de segurança que se pretende e é exigido.

Não foi possível analisar o plano de sinalização e o estudo de tráfego, por estarem omissos no conjunto de projectos disponibilizados. Estes são elementos determinantes, para a avaliação e para definição das soluções apresentadas.

Qualquer projecto, tem de ter um “programa preliminar”, uma obrigação legal, que não pode ser descurada e faz a diferença entre o sucesso e a mediocridade. O programa consiste na capacidade do dono de obra, saber definir os objectivos e as características de uma determinada intervenção, em termos de localização, de dimensão, de utilização, de aspectos funcionais, de qualidade, de prazos e de custos. Este programa é entregue na fase de contratação aos projectistas, para estes desenvolverem os projectos de acordo com as orientações claras e objectivas definidas pelo dono de obra. Neste caso a câmara municipal.

... Os projectos apresentados, em especial, os Projecto de Requalificação de Espaços Exteriores da Av. Coronel Garcês Teixeira e Av. Dr. Aurélio Ribeiro e do Projecto de Requalificação de Espaços Exteriores da Praceta Raúl Lopes não respondem às necessidades das pessoas e da cidade. Uma falha num programa preliminar objectivo, claro e eficaz e nos desenvolvimentos aquém do previsto e contratado."

Projecto de reabilitação da Praceta Raúl Lopes

Comentário de Tomar a dianteira 

Os excertos acima são de um documento de três páginas, intitulado "Requalificação de espaços exteriores em discussão pública - Reunião de Câmara de 30/10/2017", subscrito e entregue pelos três vereadores do PSD, a que Tomar a dianteira 3 teve acesso.

Olhando sem paixão para os eleitos do actual executivo municipal, resulta claro haver ali dois grupos distintos em termos técnicos. De um lado, a maioria absoluta, onde não há qualquer profissional da área do projecto e execução de obras, (houve um, no mandato anterior, mas calçou os patins, sem explicação até hoje). São por assim dizer especialistas de ideias gerais, arrastados pelas circunstâncias políticas para o domínio técnico. Do outro lado, na minoritária oposição, há um profissional na aérea do projecto e execução de obras, coadjuvado por dois outros vereadores apenas políticos.
O documento acima referido evidencia essa diferença abissal, bem como as lacunas e a inconsistência dos projectos agora em discussão pública. O que pode configurar uma prática intencional que a confirmar-se deve ser denunciada e depois punida, por aquilo que nos custa a todos enquanto contribuintes. 
Trata-se das citadas lacunas e da inconsistência dos projectos, que parecem deliberadas, intencionais. Basicamente porque, não sendo os vereadores maioritários competentes nessa área, cabe aos funcionários superiores (arquitectos e engenheiros) da autarquia aconselhá-los eficazmente. O que obviamente não tem sido  feito. Porquê? Simples incompetência? Para facilitar posteriores "trabalhos a mais", sempre bem remunerados?
Sem querer ser demasiado tortuoso, porém tendo em conta o que acima escreve José Delgado, parece-me plausível que o PS tomarense tenha ganho com maioria absoluta, porque o candidato social-democrata já não era um funcionário superior da autarquia, mas um engenheiro técnico credenciado pelos seus pares, muito mais difícil de ludibriar em questões técnicas, como agora se está a ver. Por outras palavras, os tomarenses andam há muito a ser enganados pela autarquia, cuja maioria é também enganada pelos funcionários que a deviam servir lealmente, o que não fazem em nome de outros interesses ...mais interessantes.
Com explicar de outro modo as lacunas e erros assinalados pelos vereadores do PSD, quando há na autarquias tantos e tão competentes arquitectos e engenheiros? Andam todos a dormir? São todos incapazes? É claro que não. Por conseguinte... À mulher de César não lhe basta ser séria. Tem também de parecê-lo. E na circunstância não parece mesmo nada.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Os consumidores conhecem-nos bem


De: Sónia Castro [mailto:sonia.castro@mediaconsulting.pt]
Enviada:
Para:
Assunto: SMAS de Tomar distinguidos pela qualidade da água e do saneamento



"TOMAR - Selos de qualidade para saneamento e água da torneira"


"SMAS de Tomar distinguidos pela qualidade da água e do saneamento"



"Os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Tomar receberam o selo de qualidade exemplar de água para consumo humano e o selo de qualidade em saneamento de águas residuais urbanas, atribuídos pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), em parceria com o jornal Água&Ambiente.

Os “Prémios e Selos de Qualidade dos Serviços de Águas e Resíduos – ERSAR 2017” foram entregues durante a 12.ª Expo Conferência da Água, que decorreu de 7 a 8 de novembro, em Lisboa.

A presidente da Câmara Municipal de Tomar e presidente do conselho de administração dos SMAS de Tomar recebeu os certificados de distinção numa cerimónia solene. Para Anabela Freitas, estes galardões, que vêm demonstrar a grande qualidade dos serviços no concelho de Tomar, são fruto do investimento e do bom modelo de gestão que tem vindo a ser implementado nos SMAS nos últimos anos, bem como do empenho de toda a equipa”.

Numa altura em que os SMAS de Tomar lançaram uma garrafa personalizada para celebrar os seus 80 anos e incentivar o consumo de água da torneira, o selo de qualidade exemplar dessa água, atribuído pelo regulador nacional, comprova que esta é uma excelente opção, saudável e com inegáveis vantagens ambientais."
A opinião de Tomar a dianteira 3


O mundo actual tem destas coisas. Praticamente tudo se vende, tudo se compra. Menos a Honra. E mesmo essa... A câmara paga a uma empresa de comunicação, que  vai elaborando e distribuindo conteúdos pela comunicação social. Na notícia acima reproduzida, fica-se a saber que a senhora presidente acreditou mesmo na bondade dos galardões atribuídos recentemente aos SMAS, pelos quais a autarquia pagou um pouco mais de 500 euros (Cem contos, na moeda antiga. Por dois papéis.) Prova disso é que a brilhante autarca disse coisas assim:"Estes galardões, que vêm demonstrar a grande qualidade dos serviços no concelho de Tomar, são fruto do investimento e do bom modelo de gestão que tem vindo a ser implementado nos SMAS nos últimos anos..." E disse isto com ar compenetrado. Sem se rir. O que leva a perguntar, -de consumidor numa zona mal servida da cidade antiga, para consumidora numa zona bem equipada da cidade moderna-, acredita mesmo nisso, cidadã Anabela Freitas?
Seria fastidioso repetir as críticas sobre este assunto feitas anteriormente. O leitor interessado  fará o favor de clicar aqui e aqui. Entretanto, uma vez que, segundo a notícia supra, os SMAS resolveram lançar uma "garrafa personalizada para celebrar os seus oitenta anos e incentivar o consumo de água da torneira", avança-se uma modesta sugestão. Pelo menos uma vez na vida, sejam sinceros e corajosos. Inscrevam em cada garrafa pelo menos um destes dois slogans:
Hipótese A: "SMAS-Tomar. Desde há oitenta anos os consumidores conhecem-nos bem".
Hipótese B: "SMAS-Tomar. Há oitenta anos a meter água".

Não haverá pedido de direitos de autor, porque os sorrisos conseguidos serão a melhor recompensa.

Renasce alguma esperança


Copiou-se este cartaz do Tomar na rede, porque ele permite duas coisas. Por um lado dizer finalmente bem de algo, contrariando assim quem afirma que Tomar a dianteira só sabe dizer mal. Por outro lado, mostrar que, por vezes, basta um pequeno sinal para mostrar uma grande mudança.

 
Começando então por dizer bem, cabe referir antes de mais que Tomar a dianteira nada conhece do prometido espectáculo de revista, dado isto estar a ser escrito a sete horas de avião de Lisboa. O que não impede de aconselhar a ida ao referido teatro de revista. Porquê? Por causa do tal sinal. Que eu saiba, é a primeira vez que uma colectividade local decide cobrar bilhetes de entrada, apesar de contar com o patrocínio da autarquia. Escreve-se apesar de, pois anteriormente houve quem tivesse tentado cobrar entradas sem sucesso, devido à oposição da senhora presidente. Foi designadamente o caso do Fatias de cá, durante o Festival de teatro.
Desta vez,  ainda bem que a câmara não proibiu. Mostra assim uma nova faceta, muito importante para a evolução económica da cidade e do concelho. Com efeito, parecendo ser uma coisa de nada, cobrar bilhetes de entrada faz toda a diferença, tanto em termos comportamentais como económicos.
Na área comportamental, pagando uma entrada, cada cidadão fica a saber que nunca há nada grátis. Ou pagam apenas os utilizadores, no caso os espectadores, ou pagam todos os contribuintes, ou pagam ambos, como vai acontecer, visto haver em simultâneo bilhetes pagos à entrada e patrocínio da autarquia.
Por outro lado, no aspecto económico, há sempre duas hipóteses à partida, para avançar com qualquer iniciativa. Ou se cobram entradas e há por isso criação de riqueza, de valor acrescentado, de bens transacionáveis. Ou se depende exclusivamente de dinheiros dos contribuintes, (directamente do Estado ou via administração regional e local), o que impede logo à partida que haja qualquer valor acrescentado, ou criação de riqueza. Qualquer estudante de economia política aprende isto logo no início.
O bem conhecido economista e consultor Augusto Mateus, presidente do Conselho geral do Politécnico de Tomar, é assaz claro: "O importante é apostar numa estratégia de povoamento do território e de criação de riqueza, não tornando a sociedade dependente do Estado. Porque não há desenvolvimento económico e social sustentável se a maioria dos rendimentos depender da despesa pública." (Expresso, 10/11/2017, página 21)
O conceituado economista não o disse, mas convém acrescentar: A crise tomarense, com a preocupante hemorragia demográfica, resulta exactamente da falta de criação de riqueza, de valor acrescentado, num concelho em que a maioria dos rendimentos depende da despesa pública.
Concluindo, ajudem o grupo de teatro "Nabantin'ao palco", comprando bilhetes e enchendo o cine-teatro. Eles merecem, porque ousaram inovar, cobrando entradas e portanto criando valor acrescentado.. Doravante em Tomar, nada voltará a ser como antes na área da cultura. Renasce alguma esperança no futuro de Tomar, graças a gente assim.

Adenda
No Congresso da sopa também é usual cobrar entradas. Todavia, uma vez que o produto da bilheteira é entregue ao CIRE, trata-se simplesmente de uma acção de caridade mal assumida. O valor acrescentado entra imediatamente na esfera dos recursos públicos, através da autarquia, que financia o Congresso da sopa com o dinheiro dos contribuintes.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Quando o PS era um partido de valores

Parafraseando o conhecido anúncio, eu ainda sou do tempo em que o Partido socialista defendia valores. Do tempo da manifestação da Fonte Luminosa, contra a unicidade sindical. Do tempo da Europa connosco e do Socialismo em liberdade. Onde isso já vai! Soares já não é, que antes, no exílio em Paris, passou maus bocados, às mãos de alguns mais tarde seus aliados. Mas sempre com coragem, com frontalidade. Assumindo as suas responsabilidades.
Lembro-me bem dele, na sala E113, da Universidade de Paris VIII, respondendo à malta do Palma Inácio, que o acusava de estar a soldo dos americanos e se preparava para o sovar. Alertado pelo barulho, pois era na altura monitor na biblioteca do Departamento de estudos ibéricos e latino-americanos, que ficava no mesmo corredor, acabei por sugerir que as duas partes fossem buscar a documentação que apoiava as suas posições respectivas, voltando a encontrar-se na mesma sala uma semana depois. Aceitaram e Soares livrou-se da prometida sova. Perguntou-me depois quem eu era e agradeceu-me a atitude. Apesar disso, nunca lhe apresentei a factura, mesmo depois do 25 de Abril. Não se enquadrava nem se enquadra no meu feitio. Nunca gostei de andar com medalhas penduradas, nem de debitar ocorrências de ex-combatente. Mas agora, excepcionalmente e com vontade de vomitar perante certas coisas, teve que ser, que já passou meio século.
Este intróito para melhor vincar a diferença abissal entre o PS e os dirigentes que conheci e os da actualidade. Como refere essa grande senhora do jornalismo que é Maria João Avillez "O certo é que... há um permanente afastar de qualquer responsabilidade, como quem enxota uma varejeira incómoda. Ou há uma fuga. Ou um mergulho num estado de negação."
Limitando-me a Tomar, porque este blogue é de e sobre a minha amada terra, confesso estar cada vez mais desalentado. Isto porque o município nabantino é dirigido por filiados no PS, o que nem sempre quer dizer socialistas, sendo cada vez mais frequentes os sinais preocupantes de uma síndrome fatal -a evidente alergia às responsabilidades.
Dado que escrevo sobretudo para manter a cabeça ocupada, já estou habituado e até conformado com a atitude dos senhores políticos locais. Nunca respondem a Tomar a dianteira 3 porque não é um media sério, nem  responsável, nem equilibrado dizem eles. Parece-me que a música é outra, bem diferente, mas aceitemos porque é o que temos (rima e é verdade).

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A árvore da qual caiu o ramo fatal

Aconteceu porém aquela desgraça na Rotunda. Um pacato cidadão, que estava sentado num dos muretes, foi atingido por um ramo de árvore, que lhe provocou ferimentos graves. Transportado para o hospital de Abrantes, foi intervencionado e ficou internado. Cerca de dois meses mais tarde, ainda internado no mesmo hospital, acabou por falecer.
Nestas condições, é evidente, salta à vista, que a causa do óbito foi a queda do ramo da árvore. No mínimo a causa remota. Porque, mesmo que tenha havido outra causa próxima, (só os médicos o poderão dizer), sem a queda do ramo não teria havido ferimentos graves, sem estes não teria havido intervenção cirúrgica seguida de internamento, e sem internamento não teria havido falecimento, nas circunstâncias em que ocorreu. Tudo muito claro portanto.
Menos para a senhora presidente da Câmara de Tomar. Questionada há pouco sobre a obrigação de indemnizar a família, para reparar minimamente o prejuízo causado, foi de uma secura chocante. Disse mais ou menos, (cito de cabeça), que a câmara só pagará caso se demonstre que a causa da morte foi mesmo a queda do ramo da árvore.
Inconformado, o ex-candidato Américo Costa conseguiu que a SIC abordasse o assunto, num dos seus programas de grande audiência. Mandaram mesmo uma equipa de reportagem a Tomar, com a missão de ouvir a senhora presidente. Em vão. Foi tempo perdido. Regressaram a Lisboa sem nada. Esperaram durante três horas, tendo entretanto sido informados que a senhora presidente estava numa reunião bastante demorada. E não havia mais ninguém autorizado a falar? Pois...
Pergunto eu, reles cidadão local, triste e envergonhado ante tal comportamento: Não respondem nem comentam o que aqui vou escrevendo, porque não se trata de um media sério, nem responsável, nem equilibrado. Agora a senhora presidente não respondeu à SIC porquê? Também não são sérios, nem responsáveis, nem equilibrados?
É próprio dos ditadores perderem o contacto com a realidade, mesmo quando são eleitos. Creio no entanto que, neste caso preciso, se trata antes da nova escola socialista -a alergia a qualquer responsabilidade por ocorrências negativas. 
Tentar salvaguardar a imagem para manter o lugar, é o que é. 

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Tal e qual como em Tomar...ou quase

Notícia a mediotejo.net, num trabalho de José Gaio, que a câmara de Barquinha resolveu reclamar junto da CP que o chamado "comboio raiano", que liga o Entroncamento a Badajoz uma vez por dia, pare naquela estação, a quatro quilómetros do Entroncamento.
Tal e qual como a câmara de Tomar, que também se tem esforçado junto da CP para que os comboios da linha do norte parem em Porto da Laje (Paialvo),a seis quilómetros, e em Fátima - Chão de Maçãs, a dez quilómetros.
Ou estarei a ver mal?

Aqui está a explicação

O leitor estará provavelmente na mesma situação que eu. Não compreende a prioridade dada às obras de fachada (Várzea grande, Praceta Raúl Lopes, Torres Pinheiro/Nun'Álvares, pistas cicláveis), que pouca utilidade prática têm, a não ser para mostrar serviço. Se é esse o seu caso, aqui vai uma explicação plausível, da autoria de quem sabe do que fala:
"As políticas territoriais explícitas em Portugal, como a política de desenvolvimento regional, foram completamente capturadas pela lógica da execução dos fundos europeus. Ou seja, o que existe hoje é apenas uma gestão de fundos europeus."

João Ferrão, ex- Secretário de Estado do ordenamento do território e investigador no Instituto de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa, Expresso, 10/11/2017, pág. 21

Já está mais esclarecido? Pois é. Basta contemplar sem paixão o panorama tomarense, para concluir que aqui no vale do Nabão, tem todo o cabimento o verso bem conhecido de Gedeão, na Pedra filosofal: "Eles não sabem nem sonham que o sonho comanda a vida." Na verdade, na cova nabantina não é o sonho que comanda a vida. Apenas a ganância perante os dinheiros de Bruxelas. Que é preciso sacar de qualquer maneira. Nem que seja para financiar asneiras.

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Massagens a 5 euros na barraquinha do Mouchão, durante uma daquelas festas promovidas pela Câmara, que deixam o relvado pelas ruas da amargura.

Exagero? Então vamos lá pensar um bocadinho e fazer uma lista de inutilidades tomarenses, que custaram milhões a Bruxelas e aos contribuintes nabantinos:
1 - Destruição das bancadas e dos balneários do estádio. Para quê?
2 - Construção de pistas de atletismo de 6 faixas, porque as antigas só tinham 5. Para quê? 
3 - Deck na margem oposta à do mercado. Para quê?
4 - Pistas cicláveis sem continuidade junto ao acampamento cigano do Flecheiro. Para quê?
5 - Pistas cicláveis sem continuidade, do lado de Mercado, junto à ponte do Flecheiro. Para quê?
6 - Requalificaçao  do caminho pedonal até à Porta do Sangue, já de novo degradado. Para quê?
7 - Requalificação da Estrada do Convento, que ficou mais estreita. Para quê? 
9 - Encerramento dos sanitários de S. Gregório. Para quê?
10 - Encerramento dos sanitários da Cerrada dos Cães. Para quê?
11 - Encerramento dos sanitários junto à antiga abegoaria municipal. Para quê?
12 - Destruição dos sanitários do Mouchão. Para quê?
13 - Edificação da barraquinha do Mouchão, cuja utilidade ninguém conhece. Para quê?
14 - Destruição do sistema de rega tradicional do Mouchão com água da roda. Para quê?
15 - Seis milhões de euros enterrados no "complexo da Levada", quando bastava reparar os telhados, até arranjar um projecto realista para aquele conjunto ou parte dele. Para quê?
16 - Requalificação dos Paços do concelho, com a aparelhagem do ar condicionado instalada no ParqT. Para quê?
17 - Fonte luminosa numa rotunda na margem do Nabão. Para quê?
Mas são tudo obras do Paiva e sucessores. Pois são. Mas então pense um bocadinho nas obras do mandato socialista anterior, e nas previstas para este. Além da ponte da estrada da Serra e da recuperação do Mercado (porque ninguém consegue fazer tudo mal, nem tudo bem), o resto foi, é e será para quê? Para sacar fundos europeus e mostrar obra feita. Quanto à utilidade prática, isso depois logo se vê. 
Por agora o que importa é caçar o dinheiro de Bruxelas, antes que vá para outros.
Como diria o camarada Jerónimo de Sousa, que às vezes também acerta, "É tudo farinha do mesmo saco."